Cultura

"Alguém dizia: os artistas têm de ter outros trabalhos, ir plantar couves. Nós já plantamos couves há muito tempo"

Entrevista a Rui Galveias, do Sindicato dos Trabalhadores de Espetáculos.

As linhas de apoio do Ministério da Cultura às entidades artísticas profissionais e de adaptação dos espaços às medidas de prevenção de contágio da Covid-19 estão abertas a partir desta segunda-feira, depois do adiamento de uma semana, e preveêm um apoio de 3,75 milhões de euros.

Questionado sobre o valor destinado às linhas, Rui Galveias disse que, para além de insuficiente, a ajuda já vem com "muito atraso". "Há um delay permanente na chegada dos apoios que são insuficientes", sublinhou.

Não sabe quanto dinheiro seria necessário para relançar o setor e resolver os problemas estruturais, mas enumera medidas que podiam ajudar, como é o caso do reforço de financiamento para a DGArtes - que não conseguiu apoiar todos os projetos elegíveis no ano passado - e no reforço de verba no Orçamento do Estado - o tal 1%.

"As soluções que defendemos há cinco ou seis meses continuam a ser as que têm de ser tomadas e o Governo vai minimizando com estas linhas de apoio", continuou.

Em entrevista à SIC Notícias, Rui Galveias lembrou que é preciso haver um apoio personalizado às empresas, para que não fechem portas, bem como aos trabalhadores que estão a ficar sem recursos para sustentar a família.

No final, deixou um recado para alguém que defendia que os artistas deviam ter outros trabalhos, "nem que fosse plantar couves".

"Isso já é a nossa realidade. Era uma realidade de pobreza e deste trabalho precário de 18 horas por dia a fazer várias coisas. Nós já plantamos couves há muito tempo, não temos é como comê-las".

Linha de apoio social

A linha de apoio social, a única que abriu na semana passada, é a mais significativa das três, com um teto máximo de apoio de 34,3 milhões de euros, sendo "operacionalizada através do orçamento do Fundo de Fomento Cultural".

Os formulários estão disponíveis em www.pees.gov.pt/emprego/#cultura e podem ser apresentados até 4 de setembro.