Cultura

Nobel da Literatura para poetisa Louise Glück

Louise Glück com Obama em 2016

Carolyn Kaster / AP

Prémio, envolto em diversas polémicas nos últimos anos, tem um valor superior a 900 mil euros.

O Nobel da Literatura foi hoje entregue à poetisa norte-americana Louise Glück, anunciou a Academia Sueca.

Segundo a Academia, Glück é galardoada "pela sua voz poética característica que, com sua beleza austera, torna universal a existência individual".

A poetisa e ensaísta norte-americana Louise Glück nasceu em 1943 em Nova Iorque e é professora de inglês na Universidade de Yale.

Fez sua estreia em 1968 com “Firstborn” e “logo foi aclamada como uma das poetisas mais proeminentes da literatura contemporânea americana”, afirma a Academia..

A sua mais recente obra "Faithful and Virtuous Night" data de 2014 e foi vencedora do National Book Award in Poetry nesse ano.

Gluck, por publicar em Portugal, está representada na coletânea "Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro", da Assírio & Alvim (2001), com o poema "O Poder de Circe".

Numa lista de contemplados largamente masculina, Gluck torna-se na sétima mulher a ser distinguida este século e a 16.ª, desde o começo, entre as 117 pessoas a quem foi atribuido o Nobel da Literatura.

A atribuição do prémio deste ano fica marcada pelo cancelamento da cerimónia da entrega presencial. Estava agendada para 10 de dezembro, na capital sueca.

Nobel da Literatura e as polémicas

Após a controversa escolha de Bob Dylan em 2016, a Academia Sueca foi apanhada pela agitação de um escândalo sexual e de crimes financeiros que a dividiu tanto que teve de adiar a atribuição do prémio de 2018, o primeiro em mais de 70 anos.

A polémica rebentou no final de 2017 com denúncias de 18 mulheres a um diário sueco, de que teriam sido vitimas de abuso sexual por parte do artista Jean-Claude Arnault, que foi condenado no final de 2018 a dois anos e meio de prisão por violação.

Ao rebentar o escândalo, a Academia Sueca cortou relações com o artista e pediu uma auditoria, que concluiu que Arnault não influenciou decisões sobre prémios e bolsas.

Contudo, descobriu-se que Katarina Frostenson, mulher do artista e membro do comité que decidia a atribuição do Nobel da Literatura, era coproprietária do clube literário do marido, que recebia regularmente apoio financeiro da Academia Sueca, o que violava as regras de imparcialidade.

O relatório confirmou também que a confidencialidade sobre o vencedor do Nobel foi violada várias vezes.

Após várias demissões e reestruturação dos lugares de topo, em 2019, a Academia premiou o romancista austríaco Peter Handke (nesse ano o Prémio referente a 2018 foi atribuído à escritora polaca Olga Tokarczuk), o que gerou forte controvérsia, devido às conhecidas posições pró-sérvias do escritor, durante a guerra na ex-Jugoslávia, tendo, inclusivamente, levado a principal associação de vítimas do genocídio de 1995 em Srebrenica a acusá-lo de defender responsáveis por crimes de guerra e a pedir a retirada do prémio.

Cerimónia online devido à pandemia

Este ano a atribuição do Prémio Nobel fica marcada pelo cancelamento da tradicional cerimónia presencial de entrega dos galardões, agendada para 10 de dezembro em Estocolmo (capital sueca), pela primeira vez desde 1944 (durante a Segunda Guerra Mundial).

Por causa da pandemia causada pelo novo coronavírus, a solução encontrada foi a realização de uma cerimónia quase inteiramente 'online', à exceção de uma reduzida plateia que estará no edifício da câmara de Estocolmo.

Em julho, a fundação já tinha anunciado o cancelamento do tradicional jantar de gala em honra dos laureados, que se realiza anualmente em Estocolmo, no mês de dezembro.

Anteriormente, este banquete só fora cancelado durante as duas Guerras Mundiais e nos anos de 1907, 1924 e 1956.