Cultura

Sessão de Cinema: “O Livro de Imagem”

"O Livro de Imagem" (2018), ou o cinema a repensar o individual e o colectivo
"O Livro de Imagem" (2018), ou o cinema a repensar o individual e o colectivo

Por onde começar a conhecer ou revisitar a obra de Jean-Luc Godard? Através do seu derradeiro filme… Porque não?

Perante a notícia da morte de Jean-Luc Godard (no dia 13 de setembro, contava 91 anos), o mínimo que se pode dizer é que a sua obra se apresenta tão longa, tão intensa e tão contrastada que não há nela um único filme que possa “resumir” a totalidade a que pertence.

Em boa verdade, não há maneira de “igualar” títulos como “O Acossado” (1959), verdadeiro farol da Nouvelle Vague, “Tudo Vai Bem” (1972), reflexão subtil e amarga sobre Maio de 68, ou “Número Dois” (1975), iniciando a metódica integração das câmaras de video no território tradicional do cinema…

Tiremos partido do streaming e lembremos, para já, pelo menos, o título final: “O Livro de Imagem” (2018), uma reflexão pessoalíssima sobre o estado do mundo — marcado pela violência da(s) guerra(s) — e as muitas memórias cruzadas do próprio Godard.

Três temas pontuam a narrativa de “O Livro de Imagem”. Desde logo, a pesada herança dos conflitos armados do século XX e, em particular, da Segunda Guerra Mundial. Depois, o cepticismo com que Godard observa a evolução de um modelo de organização económica (a chamada “sociedade de consumo”) cujo ideal se terá perdido. Enfim, o modo como tudo isso é parte integrante do próprio cinema, da sua história e também, por vezes, da sua mitologia.

Nesta perspectiva, “O Livro de Imagem” pode ser visto como um prolongamento dessa obra monumental que é “História(s) do Cinema” (1989-1999). Ou seja: um bloco-notas de factos, memórias e pensamentos sobre o lugar do cinema no mundo. Mais do que isso: sobre o modo como vivemos a dimensão individual no interior da colectividade a que pertencemos.

Filmin

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