Cultura

Sessão de Cinema: “Quanto Mais Quente Melhor”

Marilyn sob a direcção de Billy Wilder: a comédia e o espectáculo em estado puro
Marilyn sob a direcção de Billy Wilder: a comédia e o espectáculo em estado puro

Marilyn Monroe regressa à actualidade, em streaming, com o filme “Blonde” — por isso mesmo, vale a pena vermos ou revermos uma obra-prima em que trabalhou sob a direcção de Billy Wilder.

É tempo de revisitarmos as memórias de Marilyn Monroe (1926-1962). Isto porque já podemos ver “Blonde” [Netflix], o filme de Andrew Dominik sobre Marilyn, tendo como base o romance homónimo de Joyce Carol Oates. Uma excelente hipótese será a (re)descoberta de um título que figura em muitos estudos, análises e enciclopédias como uma das melhores comédias da história do cinema: “Quanto Mais Quente Melhor”, produção de 1959 com assinatura de Billy Wilder, mestre do género cómico.

As peripécias são conhecidas e, por si só, condensam os equívocos, ambiguidades e subentendidos (nomeadamente de natureza sexual) da história que é contada. Assim, seguimos as aventuras e desventuras de dois músicos: Joe e Jerry (saxofone e contrabaixo), interpretados, respectivamente, por Tony Curtis e Jack Lemmon. Tudo se passa em 1929, nos tempos da Proibição (de bebidas alcoólicas), em Chicago. Acontece que Joe e Jerry assistiram a um tiroteio de “gangs” rivais e precisam de “desaparecer”… A solução é continuarem a tocar os seus instrumentos, mas numa orquestra feminina — entenda-se: disfarçados de mulheres. Aí encontram a cantora Sugar Kane, isto é, Marilyn!

“Quanto Mais Quente Melhor” é um verdadeiro labirinto de máscaras e identidades, numa visão terna e cruel dos laços humanos que, como é óbvio, há muito transcendeu a época da sua produção. Billy Wilder foi um realizador sem nada de ostensivo e, ao mesmo tempo, de infinitas nuances dramáticas ou, como aqui acontece, de um humor desconcertante, tão directo quanto subtil. Sem esquecer, claro, que foi também um invulgar director de actores — neste caso, para lá da energia burlesca de Curtis e Lemmon, encontramos Marilyn naquela que é, por certo, uma das suas composições mais complexas, ao mesmo tempo desconcertantemente natural.

No seu TOP 100 das melhores comédias de sempre, divulgado no ano 2000, o American Film Institute incluiu três títulos com assinatura de Wilder: “O Pecado Mora ao Lado” (também com Marilyn) surgia em 51º lugar e “O Apartamento” (também com Jack Lemmon) ocupava o 20º; em primeiro lugar estava (e está) “Quanto Mais Quente Melhor”.

TVCine


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