Desporto

Justiça argentina abre inquérito à morte de Maradona

Nathalia Aguilar

Para determinar se houve negligência.

A justiça argentina abriu na sexta-feira um inquérito para determinar se houve negligência na morte de Diego Maradona, noticia este sábado a AFP, mas fonte judicial exclui, para já, "suspeitas de irregularidades".

"Foi aberta uma investigação porque se trata de uma pessoa que morreu em casa e não foi assinada a certidão de óbito. Isto não significa que existam suspeitas de irregularidades", disse fonte judicial à agência noticiosa francesa, sob anonimato.

Advogado denuncia falta de assistência médica adequada

O agente e advogado Matías Morla, que tornou pública na quarta-feira a morte de Maradona, aos 60 anos, denunciou que o ex-futebolista internacional argentino não recebeu assistência médica adequada e disse que iria exigir uma "investigação até às últimas consequências".

"É inexplicável que durante 12 horas o meu amigo [Maradona] não tenha tido a atenção médica que devia, em função do seu estado de saúde. A ambulância demorou mais de meia hora a chegar, o que é uma idiotice criminosa", escreveu Matías Morla na sua conta na rede social Twitter.

A mesma fonte judicial disse à AFP que nem Morla, nem qualquer elemento da família de Maradona apresentaram queixa formal, ainda que um familiar do antigo jogador, considerado um dos melhores da história do desporto, tenha dito à agência noticiosa francesa que "existem irregularidades".

"É preciso determinar se fizeram o que deviam ou não. A enfermeira [que assistia Maradona em casa] fez uma declaração ao procurador no dia em que Diego morreu e depois mudou-a, para, finalmente, ir à televisão afirmar que o que declarou lhe tinha sido imposto. Portanto, existem aqui contradições", observou o mesmo familiar, também sob anonimato.

Conhecidos os dados preliminares da autópsia a Diego Maradona

Segundo a imprensa argentina, Maradona, que treinava os argentinos do Gimnasia de La Plata, sofreu uma paragem cardíaca na sua vivenda em Tigre, na província de Buenos Aires.

O último dia da vida de Diego Armando Maradona tinha começado como era habitual nos últimos tempos. Acordou cedo e saiu para uma caminhada pelo bairro, acompanhado por um psicólogo, uma psiquiatra e uma enfermeira.

No regresso foi descansar, mas já não reagiu quando tentaram mais tarde dar-lhe a medicação.

Depois de declarado o óbito, o corpo seguiu para a morgue e o jornal argentino Olé divulgou, entretanto, os dados preliminares da autópsia.

O relatório revela que a morte foi causada por uma insuficiência cardíaca aguda num paciente com cardiomiopatia dilatada e insuficiência cardíaca congestiva crónica, que gerou um edema agudo de pulmão.

Os problemas de saúde do ex-jogador eram há muito conhecidos e já tinham levado o astro argentino a ser operado a um edema cerebral no início deste mês.

O legado de "El Pibe"

A carreira de futebolista, de 1976 a 1997, ficou marcada pela conquista, pela Argentina, do Mundial de 1986, no México, e os dois títulos italianos e a Taça UEFA vencidos ao serviço dos italianos do Nápoles.

O Presidente argentino, Alberto Fernández, decretou três dias de luto nacional pela morte de Maradona, cujo velório e funeral, marcados por alguns tumultos, se realizaram na quinta-feira, em Buenos Aires.

Emoção marca tributos

O funeral de Diego Maradona realizou-se esta sexta-feira nos arredores de Buenos Aires, na Argentina, numa cerimónia privada. Em Nápoles, nem a noite conseguiu calar a paixão. Milhares gritaram pelo herói que os marcou.