Desporto

Matheus Nunes pode tornar-se o nono naturalizado a vestir as cores de Portugal

RODRIGO ANTUNES

O jogo contra o Luxemburgo poderá ser o primeiro de Matheus Nunes ao serviço da seleção portuguesa.

Matheus Nunes pode tornar-se o nono jogador naturalizado a representar a seleção portuguesa de futebol, caso o selecionador Fernando Santos utilize o médio do Sporting num dos próximos dois encontros da equipa das quinas.

Na terça-feira, o campeão europeu em 2016 recebe o Luxemburgo, no Estádio Algarve, em jogo da qualificação europeia do Grupo A do Mundial2022, mas poderá ser já no sábado, no particular com o Qatar, no mesmo palco, que Matheus Nunes poderá cumprir o primeiro jogo pela seleção AA.

Depois de ter sido habitual suplente na temporada passada ao serviço do Sporting, tapado por João Mário, o jogador de 23 anos, nascido no Rio de Janeiro, Brasil, assumiu este ano um papel crucial no campeão nacional e, consequentemente, Fernando Santos abriu-lhe as portas da seleção portuguesa.

Em agosto último, Matheus Nunes foi convocado pelo selecionador Tite para representar a canarinha, mas não chegou a atravessar o oceano atlântico, acabando por escolher Portugal, depois de falar com ambos os técnicos.

Foi ainda nas camadas jovens do Ericeirense, em 2012/13, que iniciou a caminhada nos campeonatos lusos, tendo dado o salto para o Estoril Praia no passado recente, em 2018/19, para representar a equipa de sub-23 e exibir-se a um nível que despertou a atenção dos leões, que decidiram contratá-lo nessa mesma época.

Após cumprir o resto da temporada também no conjunto sub-23 do Sporting, Matheus Nunes completou 10 encontros na equipa principal do atual clube na época seguinte, integrando de forma permanente o grupo treinado por Rúben Amorim em 2020/21, sendo uma de várias peças importantes da conquista do 19.º campeonato nacional leonino.

O médio leonino poderá, no sábado, suceder a Otávio, do FC Porto, que somou a primeira internacionalização AA num encontro particular diante do Qatar, disputado em 4 de setembro, na cidade húngara de Debrecen, onde Portugal vence por 3-1.

O jogador do FC Porto, de 26 anos, chegou a solo luso na época 2014/15, proveniente do Internacional, do Brasil, mas não conseguiu afirmar-se de imediato na equipa principal, tendo sido emprestado ao Vitória de Guimarães por dois anos consecutivos.

Em 2016/17, fixou-se no plantel principal azul e branco, assumindo-se como uns dos jogadores imprescindíveis, nomeadamente, nos últimos três anos, sob orientação do treinador Sérgio Conceição.

O médio dos dragões, natural de Paraíba, no Brasil, sucedeu a Dyego Sousa, que, em 22 de março de 2019, foi opção no desafio frente à Ucrânia (0-0), no apuramento para o Euro2020.

Dyego Sousa, que tinha aterrado em Portugal com apenas 18 anos, em 2007, para representar os juniores do Nacional, destacou-se no Sporting de Braga, concretamente, no segundo ano ao serviço dos minhotos, em 2018/19, marcando 20 golos em 41 jogos.

Em Portugal, antes de ingressar nos minhotos, o jogador nascido em São Luís do Maranhão, no nordeste do Brasil, defendeu ainda as cores de Leixões, Tondela, Portimonense e Marítimo. Depois dos arsenalistas, ainda jogou no Benfica.

Os oito jogadores nacionalizados já vestiram a camisola da seleção

Passou mais de uma década para a seleção portuguesa voltar a estrear um jogador naturalizado, depois de Liedson, Pepe, Deco, Celso e Lúcio Soares, todos nascidos no Brasil, e de David Júlio, oriundo da África do Sul.

Em setembro de 2009, Liedson, que passou oito temporadas no Sporting, foi chamado por Carlos Queiroz para o duelo com a Dinamarca, de qualificação para o Mundial2010, e logo na estreia salvou Portugal da derrota em Copenhaga, ao marcar o golo do empate (1-1).

O "levezinho" terminou a carreira com 15 jogos e quatro golos por Portugal e representou a seleção das quinas no campeonato do mundo de 2010, na África do Sul.

Ainda em atividade está Pepe, de 38 anos, que soma 121 internacionalizações e já é o defesa central com mais jogos de sempre pela formação lusa, com mais 11 do que Fernando Couto, sendo que já marcou sete golos.

Tal como Dyego Sousa, Pepe chegou a solo nacional ainda como adolescente e também para a Madeira, onde foi representar o Marítimo, com apenas 18 anos.

Em 2007, o central do FC Porto recebeu a chamada de Luiz Felipe Scolari e, em novembro, estreou-se, logo a titular, perante a Finlândia (0-0), no encontro que confirmou a qualificação para a fase final do Euro2008.

Anos antes, em 2003, igualmente pela mão de Scolari, Deco também optou pela seleção portuguesa, seis anos depois de ter chegado ao país, com 20 anos.

Em destaque no FC Porto, o médio foi chamado para um particular com o Brasil, numa decisão que na altura não foi unânime junto da opinião pública, e acabou por defrontar a canarinha em março, no Estádio das Antas. Portugal venceu por 2-1, com Deco a marcar o golo do triunfo já perto do fim, de livre direto.

Deco, que acabou a carreira com 75 jogos e cinco golos por Portugal, acabou por ser determinante na campanha da seleção nacional no Euro2004, em que chegou à final, e no Mundial2006, tendo alcançado as meias-finais. O médio esteve ainda no Euro2008 e no Mundial2010.

Na década de 1970, o trinco brasileiro Celso, do Boavista, representou três vezes a formação da quinas e, nos anos 60, foi a vez de o central brasileiro Lúcio Soares e de o médio sul-africano David Júlio, ambos do Sporting, contarem cinco e quatro internacionalizações, respetivamente.

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