Desporto

Caso de Miguel Afonso pode ser "pontapé de saída para mais jogadoras denunciarem"

Entrevista SIC Notícias

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O treinador do Famalicão foi suspenso na sequência de denúncias de assédio sexual.

O Famalicão suspendeu, esta sexta-feira, o treinador Miguel Afonso, devido a denúncias de assédio sexual por jogadoras do Rio Ave. Raquel Sampaio, empresária de futebol, afirma que denunciou ao Famalicão que havia rumores sobre a conduta do treinador.

“O futebol feminino em si é uma ervilha. Acho que já existia ruído no passado, no Rio Ave, e inclusive fui uma das pessoas que alertei para a situação aquando da divulgação da notícia do novo treinador”, afirma em declarações à Edição da Tarde da SIC Notícias.

A empresária considera que no momento de contratar um treinador é necessário “fazer o trabalho de casa” e, uma vez que já existiam rumores sobre os alegados casos de assédio sexual a jogadoras, “o mínimo era ter investigado antes de pôr o Miguel [Afonso] no cargo que puseram”.

“Já aconteceu no passado, acredito que aconteça no presente e que vá acontecer no futuro. Acho é que estamos neste momento melhor preparados e mais disponíveis para falar deste tema”, afirma, alertando que este caso pode ser “um pontapé de saída para mais jogadoras denunciarem e, se calhar, ocorrerem mais iniciativas a formar as jogadoras”.

Raquel Sampaio alerta que este tipo de casos “não se passa só dentro de um balneário” e que pode também envolver “muitas pessoas que estão em cargos no futebol”.

Na opinião da empresária de futebol, existe pouca informação que permita às jogadoras denunciar estes situações e pouca proteção, por parte dos clubes, para lidar com estas denúncias.

“Eu pergunto-me como é que queremos que as jogadoras se sintam confortáveis em denunciar se as mesmas não sabem onde ou como o fazer? Ou, neste caso, quando os próprios clubes que as deviam proteger defendem e compactuam com o possível agressor.”

Sobre os processos em curso contra Miguel Afonso, Raquel Sampaio considera que “o tema já está nas entidades competentes para averiguar a situação e para punir, caso seja esse o caso, os culpados e os visados”. No entanto, considera que esta atuação já vem tarde.

“Cada um está a fazer o seu papel tardio. Já poderia ter sido feito e se calhar evitado esta situação, envolvendo todas as pessoas que foram avisadas, que sabiam das evidências e creio que não trataram o caso com a atenção que merecia”, remata.