Economia

CMVM levanta suspensão das ações da EDP e EDP Renováveis

Eloy Alonso

A decisão foi justificada com a "divulgação de informação relevante".

A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) levantou a suspensão da negociação das ações da EDP e da EDP Renováveis, SA que vigorava desde segunda-feira.

Em duas notas publicadas no site, a CMVM diz que estas decisões surgiram "na sequência da divulgação de informação relevante".

António Mexia, presidente da EDP, e João Manso Neto, presidente da EDP Renováveis, foram suspensos de funções na empresa como medida de coação decidida pelo juiz Carlos Alexandre no caso EDP.

António Mexia obrigado a pagar caução de 1 milhão de euros

Fonte ligada ao processo disse na segunda-feira à Lusa que Mexia e Manso Neto estão ainda obrigados a uma caução de um milhão de euros cada um.

Estas medidas de coação - suspensão de funções - tinham sido propostas pelos procuradores do Ministério Público (MP) no âmbito do inquérito do caso EDP, que corre no Tribunal Central de Instrução Criminal.

O inquérito investiga os procedimentos relativos à introdução no setor elétrico nacional dos Custos para Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC), tendo António Mexia e João Manso Neto sido constituídos arguidos em junho de 2017 por suspeitas de corrupção ativa e participação económica em negócio.

O processo das rendas excessivas da EDP está há cerca de oito anos a ser investigado pelo DCIAP.

Processo rendas excessivas EDP. "Aquilo que foi detetado foi a ponta do iceberg"

Miguel Stilwell assegura liderança da EDP de forma interina

O administrador financeiro da EDP, Miguel Stilwell de Andrade, é o novo presidente interino do Conselho de Administração Executivo da empresa, na sequência da suspensão de funções de António Mexia decretada pelo juiz Carlos Alexandre, informou esta segunda-feira a empresa ao mercado.

"Nesta data, o Conselho Geral e de Supervisão e o Conselho de Administração Executivo deliberaram proceder à nomeação do Chief Financial Officer, Miguel Stilwell de Andrade, para o exercício interino das funções e cargo de presidente do Conselho de Administração Executivo enquanto se verificar o impedimento do Dr. António Mexia, e em acumulação com as atuais funções", refere um comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários.

A decisão é justificada com a "medida de coação de suspensão do exercício de funções no Conselho de Administração Executivo da EDP" de António Mexia.

A EDP explicita que uma vez que o "número mínimo de membros do Conselho de Administração Executivo estatutariamente fixado se mantém respeitado, o Conselho de Administração Executivo mantém todos os poderes e condições necessárias" para garantir o funcionamento normal "da sociedade e das suas relações com as subsidiárias, nomeadamente a EDP Renováveis e a EDP Energias do Brasil".

Veja também: