Economia

Bruxelas mais pessimista que Governo: aponta para uma queda da economia de 9,3% este ano

Armando Franca

Contra os 8,5% que o executivo incluiu no Orçamento do Estado.

Bruxelas está mais pessimista que o Governo e aponta para uma queda da economia portuguesa de 9,3% este ano, contra os 8,5% que o executivo incluiu no Orçamento do Estado.

Para 2021, a Comissão Europeia prevê um crescimento económico de 5,4% em Portugal (o mesmo valor que o previsto pelo Governo), uma revisão em baixa das estimativas de julho (crescimento de 6,0%).

No entanto, a Comissão Europeia piorou as previsões para o défice e a dívida pública portuguesa para 2020, esperando um saldo orçamental de -7,3% do Produto Interno Bruto (PIB), como o Governo, e uma dívida pública de 135,1% do PIB.

Já as previsões relativas à taxa de desemprego portuguesa para 2020 são mais otimista que os números esperados para este ano pelo Governo (8,7%). A Comissão Europeia espera agora que se situe nos 8,0% este ano, depois de ter previsto 9,7% em maio.

"Turismo foi o setor mais afetado"

De acordo com a Comissão Europeia, face à crise económica causada pela pandemia de covid-19, "o turismo foi o setor mais afetado", ficando o setor da hospitalidade "bem abaixo da sua capacidade", não devendo "recuperar totalmente no horizonte das previsões" económicas feitas por Bruxelas.

"Com o relaxamento gradual das medidas de distanciamento social durante o verão, a economia começou a recuperar, e muitos setores, particularmente a indústria transformadora, voltaram em grande medida aos níveis pré-pandemia", pode ler-se nas previsões económicas de outono divulgadas.

Segundo Bruxelas, para o futuro "os riscos estão ainda numa dinâmica descendente devido à alta dependência de Portugal no turismo estrangeiro, onde a incerteza permanece significativa".

Bruxelas denota ainda que "o investimento contraiu 9,8% num todo com um declínio forte em investimento em equipamentos, mas o investimento na construção manteve um crescimento positivo".

"Beneficiando de uma política de resposta do Governo à crise e ao ciclo de financiamento da UE, a procura doméstica deverá retomar os níveis pré-pandemia no final de 2022", projeta ainda a Comissão.

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