Economia

"A TAP já devia ter sido reestruturada há muitos anos, mas andaram todos a dormir"

Análise de José Gomes Ferreira.

Além do empréstimo de 1,2 mil milhões de euros a que já está a ter acesso, a TAP vai precisar de mais 2 mil milhões de euros nos próximos quatro anos. Os números ultrapassam em muito o que estava previsto no orçamento do Estado para o próximo ano ,mas é o que agora se antecipa necessário para garantir a sobrevivência da companhia aérea.

"Pode o país gastar tanto dinheiro para continuar a ter uma companhia de aviação nacional?", questiona José Gomes Ferreira, numa análise sobre as informações mais recentes relativas à reestruturação da companhia aérea portuguesa. Do ponto de vista económico o Governo diz que sim, porque é uma maneira de salvar postos de trabalho. Mas a resposta a esta pergunta é muito difícil, refere.

Liquidar a empresa implicaria, por exemplo, perder os slots - vagas que permitem pousar ou descolar em aeroportos - e que são objeto de negociações ao longo de décadas. Assim que a TAP saísse de cena, outras companhias iam ficar com eles, argumenta José Gomes Ferreira.

Na SIC Notícias, criticou ainda a atuação do Governo PS que nacionalizou a TAP e não a reestruturou de imediato, lembrando que o Governo PSD também nada fez para além de incentivar uma fuga para a frente, com a compra de mais aviões, leasings e outros investimentos.

Fica ainda por esclarecer a situação do plano de resgate e reestruturação da Comissão Europeia. Segundo o Governo, a TAP só se poderia candidatar a este programa, excluindo a possibilidade de conseguir ajudas no programa designado para os prejuízos das companhias aéreas provocados pela pandemia. Segundo José Gomes Ferreira, a Comissão Europeia desmentiu o Executivo de António Costa.