Economia

Inflação desacelera em agosto: impacto no poder de compra, na habitação e nas empresas

Inflação desacelera em agosto: impacto no poder de compra, na habitação e nas empresas
boonchai wedmakawand
O INE estima que, em agosto, a inflação tenha recuado para 9%.

A taxa de variação homóloga do Índice de Preços no Consumidor (IPC) terá diminuído para 9% em agosto, face aos 9,1% de julho – uma estimativa do Instituto Nacional de Estatística (INE). Os bens alimentares continuam com valores superiores aos registados no início do ano, embora, na última semana, um cabaz de bens básicos custe menos cerca de três euros.

Desde o início do ano, o preço da carne aumentou cerca de 17% e o do peixe subiu quase 20%. Os legumes e a fruta registam uma maior variação de preços, em parte devido à seca que atinge o país.

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A situação não está fácil nem para quem vende, nem para quem compra. No entanto, os dados avançam um desaceleramento da inflação em agosto. Um descida que se refletiu no cabaz de compras na última semana: um cesto de bens alimentares essenciais, selecionado pela DECO, custou menos 3,40 euros do que na semana anterior.

Subida da Euribor afeta empréstimos e rendas

Quem comprou casa, tem visto as taxas Euribor subirem em todos os prazos durante o mês agosto. Os especialistas acreditam que as taxas possam chegar brevemente aos 2%. O valor da rendas também pode disparar em janeiro, com uma subida de 5% - o aumento não é obrigatório e depende apenas dos senhorios.

Durante o mês de agosto a Euribor registou subidas atrás de subidas. Estas taxas, que servem de referência aos empréstimos à habitação, estão já no valor mais alto dos últimos 10 anos em todos os prazos. Os especialistas dizem que devem continuar a subir.

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A taxa a seis meses, a mais utilizada no crédito à habitação em Portugal está nos 1,2%. No caso dos empréstimos a 12 meses, ultrapassa já a fasquia de 1,5%. Quem tiver a prestação atualizada, entretanto, deve contar com uma Euribor de 1,77%. No prazo a três meses conta-se agora com uma taxa de 0,65%

Mas os aumentos não são um problema exclusivo de quem comprou casa. Quem arrenda pode ver a renda disparar em janeiro. Embora não seja obrigatório, os senhorios podem fazer aumentos de 5,43%. De fora fica quem tem as chamadas "rendas antigas", anteriores a 1990, ou as anteriores a 1995, no caso do arrendamento de espaços comerciais.

As associações de inquilinos já pediram ao Governo que trave a subida. Questionado pela SIC, o Ministério da Finanças preferiu não comentar antes de ser divulgado o novo pacote de apoios às famílias, que está previsto para setembro. O Ministério das Infraestruturas e Habitação diz que o assunto ainda está a ser analisado.

Clima de confiança nas empresas continua a cair

O clima de confiança entre os empresários está a cair. O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP) já dá a recessão da economia como certa. A única exceção é o setor dos serviços. Dados do INE mostram que há áreas em que os níveis recuaram para valores de abril do ano passado.

Confiança – a palavra chave que faz mexer a economia – está em queda nas empresas. Na indústria, comércio e construção as perspetivas são negativas.

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De acordo com o INE, o clima de confiança só melhorou no setor dos serviços. Na chamada indústria transformadora, a confiança caiu para os níveis de abril do ano passado, quando o país estava a sair do segundo confinamento geral.

Depois de as famílias terem gasto nos últimos meses algum do dinheiro que pouparam, os empresários temem agora que haja menos procura uma vez que o custo de vida está a aumentar. Há também dois problemas fundamentais: a falta de mão de obra e a falta de materiais.

As atenções viram-se para o que o Governo vai anunciar na segunda-feira e no próximo Orçamento do Estado. Os empresários querem ver medidas negociadas com os setores que reduzam o impacto do aumento dos preços, como o da energia.