Economia

Taxas de juro: os “ingénuos” recados de Marcelo e Costa que “nos devem indignar”

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A análise de José Gomes Ferreira e Bernardo Ferrão às declarações do Presidente da República e do primeiro-ministro sobre a subida das taxas de juro.

José Gomes Ferreira e Bernardo Ferrão afirmam que as declarações de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa em relação à subida das taxas de juro pelo Banco Central Europeu são “ingénuas”, “levianas” e “perigosas”.

“Eles julgam que vão influenciar a decisão de Lagarde e dos governadores de bancos centrais do eurosistema em que sentido? Não subir os juros depois da inflação ter disparado? É ingénuo pensar assim, que enviando recados conseguem alterar a política das taxas de juro”, afirmou José Gomes Ferreira.

Para além disso, lamenta que as declarações de Marcelo e Costa sejam feitas citando um governador do Banco de Portugal “que deixou crescer dentro dos bancos portugueses os maiores problemas de que há memória”.

“Peço desculpa, temos que questionar estas posições e indignar-nos com o que aconteceu. (...) Agora o Presidente não quer a subida das taxas de juro. Eu também gostava de ter mais dinheiro na conta bancária”, acrescenta José Gomes Ferreira.

Bernardo Ferrão considera que os chefes de Estado e de Governo estão a tentar encontrar “uma espécie de inimigo externo [BCE]” para culpar, mas afirma ser “perigoso ser-se leviano”.

“Não compete ao Presidente nem ao primeiro-ministro pôr em causa aquilo que é a política dos governadores do Banco Central Europeu. Parece-me perigoso”, termina.

O que disseram Marcelo e Costa sobre as taxas de juro?

O Presidente Marcelo alertou que o caminho que o Banco Central Europeu decidiu seguir, de uma "subida em galope das taxas de juro", pode ser a opção errada na atual conjuntura.

Posição com que o primeiro-ministro concorda. António Costa defende que a subida das taxas de juro não é a forma ideal de combater a inflação e que o BCE “deve ser bastante prudente”.

BCE sobe taxas de juro

O Banco Central Europeu (BCE) decidiu, esta quinta-feira, voltar a subir as taxas de juro em 75 pontos base. Desde julho, as taxas de juro subiram três vezes, pondo fim a uma década de política monetária expansionista.

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