À conquista de Marte

Sonda chinesa Tianwen-1 entrou na órbita de Marte

A primeira imagem de Marte tirada pela sonda chinesa Tianwen-1 na aproximação ao planeta vermelho. A sonda entrou na órbita de Marte a 10 de fevereiro, na primeira missão da China ao planeta vermelho com sucesso que pretende ainda fazer pousar um robô.

Tianwen-1

Pequeno robô teleguiado vai tentar pousar em Marte em maio

A sonda espacial chinesa Tianwen-1 (Questões aos céus) entrou hoje com sucesso na órbita de Marte na primeira missão da China ao planeta vermelho que pretende ainda fazer pousar um robô.

"A sonda entrou com sucesso na órbita de Marte", anunciou a agência de notícias oficial Nova China, citada pela AFP.

O aparelho, que descolou com sucesso em julho do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na província de Hainan, no sul da China, leva a bordo um pequeno robô teleguiado que deverá pousar em Marte em maio. A concretizar-se, tornará a China o segundo país a fazê-lo com sucesso.

A Tianwen-1 acionou os motores para diminuir a velocidade o suficiente, de forma a ser agarrada pela gravidade de Marte, após realizar uma jornada de 470 milhões de quilómetros, ao longo de mais de seis meses.

A Agência Espacial da China publicou o vídeo da Tianwen-1 a entrar na órbita de Marte.

"Questões aos Céus"

A missão apelidada "Tianwen-1" é uma homenagem a um antigo poema chinês sobre astronomia que significa "Busca pela Verdade Celestial".

A sonda vai mapear Marte a partir da órbita até à separação do veículo que irá pousar e explorar a superfície do planeta, em maio, para procurar água no subsolo e sinais de vida antiga.

O veículo espacial movido a energia solar - do tamanho de um carrinho de golfe - deve operar por cerca de três meses.

O local de pouso proposto é a planície Utopia, no hemisfério norte de Marte, onde o módulo norte-americano Viking 2 pousou em 1976.

Apenas os EUA pousaram com sucesso em Marte, por oito vezes, começando com as duas missões Viking. Um módulo de pouso e um rover continuam a operar até hoje.

Utopia Planitia fotografada em 1971 pela Viking Lander 2 da NASA

Utopia Planitia fotografada em 1971 pela Viking Lander 2 da NASA

NASA

O robô teleguiado

Pouco se sabe sobre os engenhos chineses que irão até Marte. Mas segundo um artigo científico publicado na revista Nature Astronomy, sabe-se que o robô teleguiado pesa cerca de 240 quilos, está equipado com quatro painéis solares e tem seis rodas.

O seu objetivo: recoher amostras do solo e analisá-las, analisar a atmosfera, tirar fotografias e assim também contribuir para a cartografia do planeta e, claro, procurar eventuais vestígios de existência de vida no passado.

Deverá estar completamente operacional dois a três meses depois da chegada a Marte e o seu trabalho será cumprido durante cerca de 90 dias marcianos - cerca de metade desse tempo na Terra.

O responsável pelo projeto, Wang Chuang explica a entrada em órbita da sonda.

Segunda tentativa chinesa para conquistar Marte

A Tianwen-1 é a segunda tentativa da China de enviar uma sonda para Marte. Em 2011, uma sonda enviada em conjunto com a Rússia não conseguiu sair da órbita da Terra.

A agência espacial chinesa tem pelo menos outras três missões deste tipo programadas: a exploração de asteroides, por volta de 2024; outra missão a Marte para recolher amostras, em 2030; e outra missão de exploração, no mesmo ano, a Júpiter.

Nos últimos anos, Pequim investiu intensamente no seu programa espacial e, em janeiro de 2019, a sonda lunar Chang'e 4 pousou no lado oculto da Lua, não visível da Terra, um marco nunca alcançado na história da exploração espacial.

Sonda árabe em órbita, da NASA a caminho

Na terça-feira, a sonda Al Amal (Esperança em árabe) dos Emirados Árabes Unidos entrou na órbita de Marte e a NASA, a agência espacial dos Estados Unidos, tem programada para 18 de fevereiro a chegada a solo marciano de um novo robô norte-americano, o Perseverance (Perseverança).

As missões a Marte dos emirados Árabes Unidos, da China e dos Estados Unidos foram lançadas em julho, aproveitando o alinhamento próximo do planeta com a Terra, que ocorre apenas a cada dois anos.

60 anos de êxitos e fracassos na conquista de Marte

Breve cronologia das dezenas de missões desde os anos 1960 dirigidas pela União Soviética, depois pela Rússia, pelos Estados Unidos, pela Europa e, agora, pela China e pelos Emirados Árabes Unidos.

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