Eleições Autárquicas

Debate entre os sete candidatos à Câmara de Lisboa

A habitação foi o tema que mais exaltou os ânimos na Praça do Município. Veja aqui o debate na íntegra com os candidatos às eleições autárquicas.

A habitação foi o tema que mais exaltou os ânimos durante debate dos sete candidatos à Câmara Municipal de Lisboa. Também a mobilidade na cidade e o novo aeroporto de Lisboa foram temas que levaram a trocas de acusações. Muitas críticas foram apontadas a Medina, com algumas discussões entre a esquerda sobre a autoria das medidas aprovadas nos últimos anos.

Fernando Medina foi o primeiro a ter a palavra. E o assunto não lhe foi favorável: o envio de dados de ativistas para a Embaixada da Rússia. O autarca afirmou que “é um caso de lamentar, que não deveria ter acontecido”, mas garantiu que foram tomadas medidas “para assegurar que não voltaria a acontecer”.

Carlos Moedas, candidato pela coligação de direita “Novos Tempos”, voltou a afirmar que Medina “não assumiu o erro político, que era demitir-se” – uma posição que já tinha afirmado na altura.

João Ferreira trouxe o tema da habitação para cima da mesa e enumerou um conjunto de medidas que só tinham sido possíveis com a prestação da CDU na Câmara. A lista causou um sorriso a Medina que considera tratar-se de “uma apropriação excessiva”.

O debate sobre a autoria das medidas voltou a acontecer várias vezes, incluindo também o Bloco de Esquerda que, nos últimos quatro anos teve em coligação com o PS.

Foi precisamente a habitação que aqueceu o debate: Medina admitiu falhas nas promessas que tinha cumprido, mas, quando questionado por Nuno Graciano, candidato do Chega, sobre o porquê de não ter cumprido os números, justificou-se com a pandemia.

"Eu não sei em que planeta andou nos últimos dois anos, mas houve uma pandemia. Acha que as coisas aconteceram ao ritmo que aconteceriam normalmente?", disse Fernando Medina.

“A pandemia não serve para tudo”, rematou Graciano.

Por outro lado, Carlos Moedas criticou o Programa de Rendas Acessíveis, dizendo que “não funcionou porque a Câmara não seguiu as regras”. O candidato da coligação à direita afirmou ainda que “não podemos ser todos inquilinos da Câmara” e apresentou uma das suas medidas de bandeira nestas eleições: a isenção do IMT para jovens.

João Ferreira reagiu à proposta, afirmando que “quem compra uma casa em Lisboa, pressupõe que a pessoa tem dinheiro para comprar a casa”, referindo-se aos altos valores imobiliários praticados na capital. Lembra ainda que “a habitação pública não é só habitação de cariz social”.

Bruno Horta Soares, candidato da Iniciativa Liberal, deixou críticas à governação à esquerda, afirmando que “a esquerda que aqui está representada é que nos trouxe para uma situação de pobreza”. Defende que a autarquia deve avançar com “políticas públicas de habitação” em vez de “políticas de habitação pública”.

► Onde “aterrar” o novo aeroporto?

A construção do novo aeroporto foi também um dos temas em debate. Fernando Medina admitiu que a utilização da Portela já deixou de ser sustentável para Lisboa e considera que uma das principais soluções passa por tornar o Montijo no principal aeroporto da cidade.

Por outro lado, Carlos Moedas defende a ideologia “Portela+1”, sublinhando que o Montijo terá uma dimensão demasiado pequena para responder à procura.

João Ferreira considerou uma “aberração” o aeroporto principal “crescer dentro da cidade”. Afirmou que a Portela era uma opção “temporária” e que a discussão de um novo aeroporto já acontece há várias décadas.

Nuno Graciano afirma que “há estudos para todos os gostos” e Bruno Horta Soares defende que os dois aeroportos devem funcionar em simultâneo, oferecendo mais portas para uma cidade que depende do turismo.

Manuela Gonzaga, candidata pelo PAN, focou-se nas questões ambientais para recusar a construção do aeroporto tanto no Montijo como em Alcochete. Ambas as localidades estão localizada no estuário do Tejo e, por isso, a candidata defende que o aeroporto de Évora é a melhor opção.

► O problema da mobilidade em Lisboa

Um dos problemas que a capital enfrenta é o trânsito e a mobilidade. Para Fernando Medina, o investimento tem de ser à escala metropolitana e afirma que os municípios já acordaram um plano que está atualmente a ser negociado com o Governo.

O autarca avançou ainda que “vai haver medidas de delimitação de circulação na zona da baixa” de Lisboa, o que levou Carlos Moedas a criticar a visão “impositiva” de Medina.

O candidato da coligação “Novos Tempos” defende que os transportes públicos na cidade devem ser gratuitos para jovens entre os 18 e os 23 anos e para os maiores de 65 anos. É também apologista da aplicação de um desconto nos parquímetros aos moradores da cidade.

O termo “gratuito” não bem recebido por Bruno Horta Soares que considera que esse adjetivo significa que “sai do bolso dos contribuintes”. O candidato liberal defende a descida da derrama, para que esse imposto seja devolvido às empresas, do IRS, para que seja devolvido aos cidadãos, e é a favor da liberalização do negócio dos transportes.

"Se queríamos mais transportes vamos liberalizar, vamos fazer Ubers de autocarros", defende Bruno Horta Soares, "mais transportes públicos mas não necessariamente à custa dos contribuintes".

Por outro lado, Nuno Graciano criticou a construção de ciclovias – que apelidou de “ciclovazias” – afirmando que estão a prejudicar a mobilidade dos lisboetas.

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