De cada vez que o líder do PSD chega à campanha, chega também o primeiro-ministro. É um clássico em tempo de campanha eleitoral. Quem está no poder tem trunfos que não existem nas mangas da oposição.
“O presidente do PSD está em permanente contacto com o primeiro-ministro. É inevitável”, defendeu o próprio Luís Montenegro.
Mal as caravanas se fizeram à estrada das autárquicas, Montenegro anunciava um aumento para pensionistas. O valor do aumento veio a saber-se esta terça-feira.
Nas vésperas do arranque da campanha, o Governo também aprovou um pacote de medidas para a habitação.
A polémica coincidência entre OE e autárquicas
A mistura entre Governo e campanha começa logo na escolha do dia para as eleições: 12 de outubro. Acontece que o Executivo tem a obrigação legal de entregar o Orçamento do Estado até dia 10 de outubro, o que coincide com o último dia de campanha eleitoral.
“Houve aqui uma coincidência de datas, o que significa que, no dia da entrega do Orçamento do Estado – porque se trata da fase final antes da votação -, é de compreender que cada partido possa dizer aquilo que é a sua expectativa para o futuro, mas deve evitar fazer campanha eleitoral sobre isso”, alertou Marcelo Rebelo de Sousa.
O Presidente da República defende que é melhor evitar campanha orçamental. A Comissão Nacional de Eleições (CNE) apela à neutralidade.
“Tenho sido o mais comedido e o mais cuidadoso em não confundir os planos, mas como líder partidário também tenho o direito de expressar a vontade do meu partido”, declarou Luís Montenegro.
Na primeira semana de campanha, a agenda foi mais dividida com os compromissos de primeiro-ministro. Na derradeira semana de campanha, aparecerá mais o líder do PSD.