O Presidente da República afirma que foi uma coincidência a data das eleições autárquicas ser tão próxima da data de entrega do Orçamento do Estado. Marcelo Rebelo de Sousa considera que era inevitável o Orçamento entrar na campanha e considera que é “imprevisível” o que vai acontecer nas autárquicas.
A proposta do Orçamento do Estado para 2026 será entregue, na Assembleia da República, pelo Governo até sexta-feira, dia 10 de outubro. As eleições autárquicas acontecem dois dias depois, no domingo, 12 de outubro.
O Chefe de Estado defende que, "olhando para trás”, a data que definiu para a realização destas eleições foi “bem escolhida”. “Senão, não havia campanha eleitoral autárquica nenhuma, porque as pessoas saíam de férias e entravam diretamente na votação”, justificou o Presidente da República, em declarações aos jornalistas, esta terça-feira.
“E é evidente que, se estamos em vésperas de entrega do Orçamento, tinha que se falar no Orçamento”, comentou.
Para Marcelo Rebelo de Sousa, “agora, o interessante é saber, no poder local, como é que estão os partidos”.
"O poder local em Portugal, há muito tempo, há bastantes anos, que tem uma estrutura muito fixa, em termos eleitorais. Mantém-se ou muda? Acho que é imprevisível”, declarou.
Caso juiz Ivo Rosa? Marcelo pede reflexão na Justiça
O Presidente da República recusou ainda comentar a investigação ao juiz Ivo Rosa. Afirma apenas que não se pode pedir aos políticos que intervenham e volta a pedir uma reflexão interna da Justiça.
“Eu sou dos defensores de que não se deve pedir aos políticos para intervirem no domínio da Justiça porque isso quebra a separação de poderes. Mas sou também defensor de que, perante dúvidas que surgem e que não são fáceis de perceber no relacionamento de uma estrutura e comportamento de uma estrutura, que isso seja apreciado e refletido serenamente pelos órgãos de topo das magistraturas”, defendeu.
“O que eu queria era que o Conselho Superior da Magistratura e o Conselho Superior do Ministério Público se debruçassem sobre casos que podem criar dúvidas relativamente à imagem da Justiça no relacionamento entre magistraturas e dentro das magistraturas”, afirmou o Presidente da República.
