Conflito Israel-Palestina

Mariana Mortágua: "Se eles nos fazem isto a nós, imagino o que não fazem a prisioneiros palestinianos"

Os portugueses que foram detidos por Israel, quando tentavam chegar a Gaza, dizem que passaram fome e sede na prisão e que houve espancamentos. Regressaram a Portugal na última noite.

Loading...

Os quatro portugueses que seguiam na flotilha e foram detidos por Israel dizem que passaram fome e sede. Relatam ainda situações de tortura e espancamentos. Na noite deste domingo, foram recebidos por centenas de pessoas, no regresso a Lisboa.

Miguel Duarte, Sofia Aparício, Mariana Mortágua e Diogo Chaves deixaram o aeroporto de Lisboa um pouco antes das 24h00 deste domingo.

Um forte dispositivo de segurança, com vários elementos da PSP, tentou gerir a confusão que se instalou depois da chegada dos quatro: uma líder partidária, uma atriz e dois ativistas. Fizeram parte da flotilha com cerca de 50 embarcações que atravessou parte do Mediterrâneo. Uma missão que sempre se apresentou como sendo de ajuda humanitária, para entregar em Gaza bens essenciais.

"Alguns de nós foram espancados, passámos fome e sede"

Estiveram quatro dias numa prisão, depois de terem sido detidos pelos militares israelitas. Descrevem maus-tratos e humilhações.

“Alguns de nós foram espancados. Passámos fome, passámos sede. Estivemos, alguns de nós, mais de 48 horas sem acesso a água e a comida. Alguns entre nós têm doenças crónicas, por exemplo, diabetes e estiveram três dias sem receber insulina na prisão”, denuncia Miguel Duarte.

Percebemos a diferença naquela prisão entre ser europeu e ser palestiniano. Por muito que tenha sido difícil para nós, e foi, e por muito que tenha havido abusos, e houve, muitos, deu-nos uma ideia do grau de impunidade das forças israelitas contra palestinianos”, apontou Mariana Mortágua.

Questionada se a iniciativa valeu a pena, a líder do Bloco de Esquerda responde sem hesitação: “Claro que valeu a pena. Se ele nos fazem isto a nós, imagino o que não fazem a prisioneiros palestinianos".

“Não somos heróis, somos pessoas que estão a fazer aquilo que os nossos governos não estão a fazer”, declarou Mariana Mortágua.

Foram libertados este domingo. Na zona das chegadas do aeroporto de Lisboa, entre bandeiras e cartazes, pedia-se uma Palestina livre.

Esta terça-feira, assinalam-se dois anos do início do conflito entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza.