Luís Montenegro afirma que o Governo fez tudo o que podia para trazer de volta para Portugal os ativistas detidos por Israel. O primeiro-ministro acusa o Bloco de Esquerda de exigir ações do Executivo, mas não ter feito o suficiente quando integrava uma coligação com o PS.
“O Governo fez tudo aquilo que estava ao seu alcance para que os portugueses pudessem ser repatriados o mais rápido possível, num clima de normalidade e tranquilidade”, assegurou Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas, à margem da campanha eleitoral para as autárquicas, esta segunda-feira.
Os quatro portugueses que seguiam na flotilha rumo a Gaza e que foram detidos por Israel chegaram a Portugal este domingo. Dizem que passaram fome e sede na prisão e relatam situações de tortura e espancamentos.
“Não gostei de ver uma estação de comboios invadida"
Em relação à situação em Gaza e ao reconhecimento do Estado da Palestina, Luís Montenegro insiste que também aí o Governo tem estado à altura.
“Nós interviemos, há um ano e meio, para garantir que a Autoridade Palestiniana tinha o regime de membro de pleno direito da Assembleia Geral das Nações Unidas. Já num outro governo da AD, anteriormente, tinha sido reconhecido o estatuto do observador, precisamente à Autoridade Palestiniana”, frisa Luís Montenegro.
“Aqueles que reclamam uma posição do Governo, a verdade é que, quando tiveram responsabilidades governativas ou quando contribuíram para a formação da vontade do Governo - é o caso do Bloco de Esquerda, que esteve coligado com o PS - vamos dizer aqui a verdade: nunca fez aquilo que nós fizemos agora”, atirou o primeiro-ministro.
O chefe de Governo condenou ainda as ações dos manifestantes que, em Lisboa, protestaram a favor da libertação da Palestina e contra a situação da detenção dos ativistas que seguiam a bordo da flotilha rumo a Gaza.
“Não gostei de ver uma estação de comboios ser invadida e haver uma perturbação da vida normal das pessoas. Acho que não é necessário chegar a esse ponto para exprimir uma posição”, declarou.
Luís Montenegro referia-se ao ambiente de tensão vivido, no sábado, na estação de comboios do Rossio, em Lisboa. A polícia de choque teve de ser acionada, após dezenas de manifestantes de apoio a Gaza terem tomado a estação.