Confrontos no Irão

Seleção do Irão junta-se aos protestos por Mahsa Amini

Mehdi Taremi
Mehdi Taremi
JAKUB SUKUP

O jogador do FC Porto Taremi condenou a violência no Irão. Há já dezenas de mortes e centenas de detenções nos protestos.

Os jogadores da seleção nacional do Irão homenagearam Mahsa Amini e protestaram contra a violência policial no país, no jogo com o Senegal de preparação para o Mundial 2022. Taremi, jogador do FC Porto, condenou, nas redes sociais, a violência policial. Já morreram dezenas de pessoas nos protestos. A polícia já ameaçou usar “toda a força”.

Casacos pretos vestidos e emblema tapado. Foi assim que os jogadores da seleção orientada por Carlos Queiroz cantaram o hino, no jogo com o Senegal.

A tensão no país tem aumentado nos últimos dias, com os iranianos a saírem às ruas em protesto, após a morte de Mahsa Amini, jovem espancada pela polícia três idas antes de morrer por não ter usado o véu islâmico. A polícia tem reprimido as manifestações e já ameaçou usar “toda a força”. Há já dezenas de mortes e centenas de detenções.

Nas redes sociais, o jogador do FC Porto Mehdi Taremi considerou que os "acontecimentos das últimas noites não são dignos de pessoas nobres":

"Fiquei envergonhado ao ver determinados vídeos, especialmente de mau comportamento e violência contra mulheres".

"É por isso que por estes dias não me sinto triste por ver e ler as críticas duras de muitos de vós, meus caros compatriotas, acerca de mim. Porque vocês conhecem-me como um de vós e têm o direito de escrever o que quiserem sobre este pequeno membro da vossa família".

Taremi apelou ainda aos responsáveis do Irão:

"Os oficiais têm o dever de oferecer bem-estar e conforto ao honorável povo do Irão. Violência e uso de força contra pessoas não resolve qualquer problema e, sob qualquer forma, não é aceitável".

O avançado do FC Porto, Sardar Azmoun e Vahid Amiri, também jogadores iranianos, alteraram as fotos de perfil do Instagram para um fundo preto.

Nos protestos no Irão já morreram, pelo menos, 76 pessoas, de acordo com a organização não governamental Iran Human Rights. Já foram detidas mais de 1200 pessoas.

A jovem de 22 anos, natural do Curdistão iraniano, morreu a 16 de setembro, três dias depois de ter sido presa sob a acusação de não levar o cabelo tapado, não cumprindo uma das normas mais restritas, respeitantes ao código de vestuário imposto às mulheres na República Islâmica do Irão desde 1979.

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