Confrontos no Irão

"Irão está a erguer-se, agora é a nossa vez": mulheres manifestam-se em Cabul, mas talibãs intervêm

"Irão está a erguer-se, agora é a nossa vez": mulheres manifestam-se em Cabul, mas talibãs intervêm
WAKIL KOHSAR

As mulheres foram dispersadas por homens que dispararam para o ar.

Homens armados do regime Talibã do Afeganistão dispararam esta quinta-feira para o ar, para dispersar uma manifestação de mulheres em frente à embaixada do Irão em Cabul, em apoio aos protestos das mulheres iranianas.

Com gritos de "Mulher, vida, liberdade", "O Irão está a erguer-se, agora é a nossa vez" e "De Cabul ao Irão, diga não à ditadura!", cerca de 25 mulheres manifestaram-se durante cerca de 15 minutos na estrada em frente à embaixada iraniana.

As manifestantes, algumas das quais esconderam o rosto atrás de óculos escuros e máscaras cirúrgicas, levavam faixas que lhes foram arrancadas das mãos pelos talibãs.

Algumas aproveitaram os restos das faixas para fazer bolas que atiraram contra os homens armados.

As mulheres só dispersaram após homens posicionados em frente ao edifício terem disparado para o ar.

Segundo jornalistas da agência de notícias France-Presse, os homens armados tentaram também atingir as manifestantes com as coronhas das armas.

Os talibãs também ordenaram aos jornalistas que apagassem qualquer vídeo e foto do protesto.

Desde 16 de setembro que os iranianos se manifestam todas as noites contra a morte da jovem Masha Amini, detida pela polícia de moralidade, uma vaga de protestos que tem resultado em incidentes e confrontos com as forças policiais.

Masha Amini, de 22 anos, foi detida a 13 deste mês em Teerão por “trajar roupas inadequadas”, segundo acusou a polícia dos costumes, uma unidade encarregada de fazer cumprir o rigoroso código de indumentária das mulheres na República Islâmica.

No Irão, é obrigatório cobrir o cabelo em público. A polícia fiscaliza ainda as mulheres que usam casacos curtos, acima do joelho, calças justas e ‘jeans’ com buracos (ou rotos), além de roupas coloridas, entre outras regras.

A jovem entrou em coma após a detenção e morreu três dias depois, a 16 de setembro, num hospital, informou a televisão estatal e a família da vítima.

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