Confrontos no Irão

Amnistia Internacional realiza vigília de apoio aos manifestantes no Irão

Amnistia Internacional realiza vigília de apoio aos manifestantes no Irão

Amnistia Internacional Portugal aponta que milhares de pessoas estão presas e indiciadas.

A Amnistia Internacional Portugal (AI) realiza esta sexta-feira, Dia Internacional dos Defensores de Direitos Humanos, uma vigília em Lisboa de apoio aos manifestantes no Irão, onde os protestos contra o regime no poder têm levado a detenções e execuções.

A AI vai realizar a vigília em parceria com a Kolbeh, Comunidade Iraniana Portuguesa, entre as 19:00h e as 21:00h, na Praça do Município, em Lisboa, e insta todos a juntarem-se a esta ação de apoio aos manifestantes pacíficos no Irão em defesa da liberdade.

"Com esta vigília, queremos aplaudir a coragem dos manifestantes que saem à rua no Irão, que arriscam a sua liberdade e a sua vida em prol de um futuro que respeite os direitos humanos, onde a liberdade de expressão e reunião pacífica possa também ser uma realidade", frisou Pedro A. Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional Portugal.

“Queremos mostrar que nos mantemos atentos e que seguiremos juntos e comprometidos pela proteção dos direitos humanos no país”.

Execuções e detenções

As autoridades iranianas executaram esta sexta-feira um jovem manifestante, Mohsen Shekari, condenado e sentenciado à morte, em processos que não tinham semelhança com um julgamento, pela participação na revolta popular em curso em todo o país, disse hoje a AI.

"Com as autoridades iranianas a agir brutalmente face às suas ameaças públicas para agilizar os procedimentos (...) e realizar execuções rapidamente, outros manifestantes ameaçados de morte ou acusados de crimes capitais estão em risco iminente e tememos que sejam mortos", disse Diana Eltahawy, Diretora Adjunta da Amnistia International para o Médio Oriente e Norte de África.

"A forma chocante como o julgamento de Mohsen Shekari foi acelerado através do sistema judicial iraniano sem lhe dar a oportunidade de um processo de julgamento e recurso significativo é mais uma ilustração do facto de as autoridades estarem a recorrer à pena de morte como arma de repressão política", disse Eltahawy, acrescentando que "o objetivo claro é incutir medo entre o público numa tentativa desesperada de agarrar o poder e acabar com a revolta popular".

As autoridades condenaram Shekari pela acusação de "inimizade contra Deus" (moharebeh) relacionada com acusações de "bloquear uma rua em Teerão, criar medo e privar as pessoas de liberdade e segurança, e ferir intencionalmente um agente de segurança com uma arma branca (faca)", em violação do direito internacional que exige que a pena de morte seja usada apenas nos crimes mais graves que envolvam homicídio intencional.

Milhares de pessoas presas

A AI aponta que milhares de pessoas estão presas e indiciadas e identificou pelo menos 18 outras pessoas em risco de execução, em ligação com os protestos e em diferentes fases do processo de justiça penal.

Mesmo antes do início da revolta em meados de setembro, a AI alertou para um pico de execuções no Irão, com as autoridades a matarem pelo menos 251 pessoas nos primeiros seis meses de 2022.

A organização opõe-se à pena de morte sem exceção, independentemente da natureza do crime, das características do infrator, ou do método utilizado pelo Estado para matar o prisioneiro.

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