Confrontos no Irão

Irão avisa que país deve preparar-se para a guerra perante ameaça dos EUA

Donald Trump ameaçou repetidamente usar a força em resposta à violenta repressão dos protestos no último mês no Irão. O Presidente dos EUA exige negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Irão avisa que país deve preparar-se para a guerra perante ameaça dos EUA
Ebrahim Noroozi

O vice-presidente do Irão, Mohammad Reza Aref, avisou esta quinta-feira que o país deve preparar-se para a guerra, perante a ameaça dos Estados Unidos de usar a força militar contra a República Islâmica.

"Hoje, devemos estar preparados para a guerra. A República Islâmica do Irão nunca inicia uma guerra, mas se lhe for imposta uma, defender-se-á com força", afirmou Mohammad Reza Aref, citado pela agência de notícias iraniana ISNA.

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou repetidamente usar a força, em resposta à violenta repressão dos protestos no último mês no Irão, e na quarta-feira exigiu também negociações sobre o programa nuclear iraniano, cujas instalações foram bombardeadas em junho pela aviação norte-americana e por Israel.

Em resposta, o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi manifestou disponibilidade para o diálogo, desde que livre de coações e ameaças, ao mesmo tempo que avisou que as forças armadas estão "com o dedo no gatilho" face à ameaça de ataque.

As ameaças do líder da Casa Branca foram acompanhadas pelo envio de uma força naval norte-americana, incluindo o porta-aviões Abraham Lincoln, que chegou à região do Golfo na segunda-feira com a escolta.

Araqchi viaja na sexta-feira para a Turquia para um encontro com o homólogo turco, Hakan Fidan, que, segundo a agência de notícias France Presse (AFP), ofereceu mediação para aliviar a tensão militar entre Teerão e Washington.

Na semana passada, as autoridades iranianas anunciaram que pelo menos 3.117 pessoas morreram nos protestos ao longo de janeiro, números contestados por organizações não-governamentais de defesa dos direitos humanos, que alegaram estar em posse de dados que confirmam uma dimensão muito superior, a que somam dezenas de milhares de detidos.

O movimento de protesto, iniciado em 28 de dezembro contra o elevado custo de vida e desvalorização da moeda nacional, levou a um apagão de comunicações sem precedentes em todo o país por ordem das autoridades, e entretanto perdeu intensidade, mas prosseguem os relatos de detenções e de confissões encenadas na televisão.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, comentou, numa audição na quarta-feira na Comissão dos Negócios Estrangeiros do Senado em Washington, que o Irão está "mais fraco do que nunca", com a economia "em colapso", e, ao contrário do que acontecia no passado, o regime mostra-se incapaz de responder às reivindicações dos protestos.

A pressão sobre Teerão aumentou com a decisão tomada pela UE de designar como organização terrorista a Guarda Revolucionária Islâmica, a força ideológica do regime teocrático.