Os protestos no Irão já duram desde 28 de dezembro e estão a ser violentamente reprimidos pelo regime autocrático do ayatollah Ali Khamenei. Organizações não governamentais de direitos humanos estimam que cerca de 4000 pessoas tenham morrido nos confrontos com as forças de segurança e 9000 tenham ficado feridas. Outras 19 mil foram detidas nas últimas três semanas.
Perante a repressão e as ameaças de execução de manifestantes, o Presidente dos Estados Unidos tem alertado para uma possível intervenção militar no país. “O papel de Donald Trump é mais de dissuasão, pelo menos nesta fase. É verdade que os EUA já mobilizaram pelo menos um porta-aviões para a região, o que pode sinalizar que pode haver uma intervenção militar. Um tal ataque, a acontecer, seria porventura cirúrgico e visaria sobretudo os pilares do regime, como a Guarda Revolucionária”, considera José Palmeira, professor de Relações Internacionais da Universidade do Minho.
Os protestos começaram por razões económicas: a queda acentuada do rial (moeda iraniana) e a inflação. Desde então, espalharam-se por mais de 190 cidades em todas as 31 províncias do país. “É verdade que os motivos económicos agudizam e são um fator para a população, mas também há um descontentamento pela natureza do regime. Não podemos esquecer que a maioria da população do Irão é muito jovem e os jovens hoje são pessoas muito mais informadas e exigentes”, acrescenta.
Inicialmente as manifestações foram recebidos com uma certa compreensão por parte das autoridades iranianas, mas essa abordagem mudou ao fim de pouco tempo. Os protestantes passaram a ser tratados como terroristas associados aos Estados Unidos e a Israel, e o regime de Khamenei sugeriu que os detidos fossem executados. Porquê esta mudança de posição? “O regime iraniano especializou-se em abrir ou fechar mais a sua natureza autoritária ou até totalitária em função daquilo que é a reação popular”, responde José Palmeira.
Este episódio foi conduzido pela jornalista Mara Tribuna e contou com a edição técnica de João Luís Amorim. O Mundo a Seus Pés é o podcast semanal da editoria Internacional do Expresso. A condução do debate é rotativa entre os jornalistas Ana França, Hélder Gomes, Mara Tribuna, Pedro Cordeiro e Catarina Maldonado Vasconcelos. Subscreva e ouça mais episódios.
