Coronavírus

OMS deu nome à doença causada pelo novo coronavírus. Porque é que isso interessa?

A morfologia ultraestrutural do novo Coronavirus 2019 (2019-nCoV), identificado como a causa de um surto de doença respiratória detetada pela primeira vez em Wuhan, China. Ilustração divulgada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

Alissa Eckert, MS; Dan Higgins, MAM/CDC/Handout via REUTERS

Covid-19 é o nome da doença provocada pelo novo coronavírus 2019-nCoV.

A infeção provocada pelo novo coronavírus detetado na China passou a ter o nome oficial Covid-19, decidiu a Organização Mundial de Saúde (OMS) a 10 de fevereiro, num fórum de dois dias que juntou cientistas, investigadores e peritos de saúde para debater formas de controlo do surto.

Covid-19 deriva do inglês corona virus disease - doença por corona vírus.

2019-nCoV é uma nova estirpe de coronavírus que não tinha sido identificada antes do surto que começou em Wuhan, na China, em dezembro de 2019.

Mas porque deram um nome oficial?

Porque essa é uma das responsabilidades da OMS para distinguir o vírus da doença que esse mesmo vírus provoca e impedir o uso de outros nomes que podem ser incorretos ou criem um estigma.

Em 2015, a OMS, em colaboração com a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), determinou as "melhores práticas para nomear novas doenças humanas".

Segundo as diretrizes da OMS, o nome de uma doença tem de ser pronunciável, não pode fazer referência a uma localização geográfica, um animal, um indivíduo ou grupo de pessoas para evitar estigmatizações, segundo disse em conferência de imprensa o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

O nome da doença serve também para "minimizar o impacto negativo no comércio, viagens, turismo ou bem-estar animal" e "evitar ofender qualquer grupo cultural, social, nacional, regional, profissional ou étnico".

Tedros Adhanom Ghebreyesus alertou ainda para o facto de que um nome pode causar um estigma em torno da doença que pode ser prejudicial.

"Põe as pessoas umas contra as outras. Este é um momento de solidariedade, não de estigma".

O diretor-geral da OMS chegou a dizer mesmo que o surto de um vírus poder ser pior que o terrorismo.

"Para ser honesto, um vírus é tem muito mais poder para criar convulsões políticas, económicas e sociais do que qualquer ataque terrorista".

Em Portugal não parece estar a acontecer discriminação, no entanto a Liga dos Chineses em Portugal quer evitar alarmismo devido ao medo do coronavírus e já implementou um plano de prevenção.

Estas são algumas das razões porque é importante serem esclarecidas algumas dúvidas para que cada pessoa individualmente se consiga proteger e, ao mesmo tempo, contribuir para travar a progressão do vírus pelo mundo.

Alguns (maus) exemplos de nomes dados a doenças

O nome de uma doença também é importante para que seja corretamente identificada .

Em 2019, a OMS deixou de usar o termo gripe dos porcos para passar a chamar influenza A (H1N1).

O nome teve de ser mudado porque estava a afetar o comércio de carne de porco pelo mundo.

Em 2015, altura em que ficaram decididas estas novas regras para nomeação de doenças, a OMS chamou a atenção para o potencial para a criação de estigma do nome Síndrome Respiratória do Médio Oriente - MERS.

Outros exemplos de nomes com repercussões negativas:

  • a gripe espanhola de 1918 - que nem teve origem em Espanha, apareceu em França e nos EUA, mas como ambos os países combatiam na I Guerra Mundial, foi abafada. A Espanha era neutra e pôde publicar a notícia da pandemia.
  • o vírus Ébola, cujo nome provém do rio Ébola na República Democrática do Congo onde o vírus foi descoberto em 1976, mas a epidemia desenvolveu-se na Guiné, Serra leoa e Libéria em 2014-2016.
  • gripe das aves, doença das vacas loucas, varíola do macaco, encefalite equina, febre de Rift Valley, doença de Lyme, febre hemorrágica de Crimeia-Congo, encefalite japonesa.

O que são coronavírus?

É de relembrar que os coronavírus não são novidade.

Os coronavírus (CoV) são uma grande família de vírus que causam doenças que variam da constipação comum a doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Médio Oriente (MERS-CoV) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS-CoV). O novo coronavírus (2019-nCoV) é uma nova estirpe que não tinha sido previamente identificada em humanos, explica a OMS.


Tal como outras doenças respiratórias, a infecção pelo 2019-nCoV pode causar sintomas leves mas pode ser mais grave para algumas pessoas e pode levar a pneumonia ou dificuldades respiratórias. Mais raramente, a doença pode ser fatal. Pessoas idosas ou com condições médicas pré-existentes (como diabetes e doenças cardíacas) parecem ser mais vulneráveis a ficar gravemente doentes com o vírus.

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