Coronavírus

Coronavírus: TAP cancela mais 2.500 voos após quebra de reservas

Rafael Marchante

Total de operações canceladas pela transportadora sobe para 3.500.

Especial Coronavírus

A TAP anunciou esta segunda-feira que vai cancelar mais 2.500 voos nos próximos meses, subindo assim para 3.500 o número total de operações canceladas pela transportadora.

"A companhia decidiu reduzir a capacidade para os próximos meses em cerca de 2.500 voos adicionais, um ajustamento que se junta ao anunciado na semana passada, de 1.000 voos, resultando assim estas medidas numa redução total da oferta de 3.500 voos, equivalentes a 7% dos voos programados em março, 11% em abril e 19% em maio", referiu a transportadora.

Segundo a TAP, "estas medidas justificam-se pela quebra nas reservas de viagens para os próximos meses que se tem verificado nos últimos dias".

Estes cancelamentos "continuam a incidir especialmente na operação para cidades nas regiões mais afetadas, sobretudo Itália", mas também incluem "a redução de oferta em outros mercados europeus que mostram maiores quebras da procura, como Espanha ou França", além de "alguns voos intercontinentais, dado o modelo de operação da TAP, como companhia de longo curso e conexão", adiantou a companhia aérea.

A TAP garantiu que "continua a acompanhar a evolução do surto de coronavírus de forma dinâmica" e assegurou que estava "a tomar de forma muito ágil as medidas necessárias para minimizar o forte impacto económico da situação".

A transportadora informou ainda que "vai contactar todos os passageiros afetados por estes cancelamentos" para encontrar "as melhores opções e alternativas para a realização das suas viagens", sendo que já permite, desde domingo, "a alteração de viagens sem pagamento das taxas de alteração em reservas feitas até final de março".

Esta isenção da taxa de alteração "está disponível para voos operados pela TAP em todas as rotas, datas e tarifas (exceto tarifa discount), desde que a viagem tenha sido comprada durante o mês de março", tendo o pedido de alteração de ser feito, "no mínimo, 21 dias antes da partida", indicou a empresa, na mesma nota.

"A prioridade da TAP é, desde a eclosão do surto de coronavírus, a proteção da saúde dos seus trabalhadores e passageiros, e a companhia aérea trabalha e colabora ativamente com as mais importantes entidades", referiu o grupo, destacando que "ativou desde o início do surto o seu plano de contingência, que contempla todas as recomendações e procedimentos ditados pelas autoridades de saúde nacionais e internacionais".

No passado dia 5 de março, a TAP anunciou que iria cancelar 1.000 voos em março e abril.

"O volume de reservas para março e abril mostra, desde as últimas duas semanas, quebras significativas relativamente ao ano passado", lê-se numa nota, publicada nesse dia.

"Este forte abrandamento da procura faz com que a TAP tenha procedido ao cancelamento imediato de voos com menor procura, reduzindo a capacidade em 4% em março e 6% em abril, o que representa um total de cerca de 1.000 voos", explicou a transportadora.

No mesmo dia, a Comissão Executiva da TAP anunciou que iria implementar medidas para reduzir e controlar custos, incluindo a suspensão ou adiamento de investimentos e de contratações e a "implementação de programas de licenças sem vencimento temporárias", segundo uma nota enviada aos trabalhadores.

"Vamos implementar um conjunto de iniciativas que visam controlar e reduzir custos como suspensão ou adiamento de investimentos não críticos, corte de despesas acessórias, renegociação de contratos e prazos de pagamento, antecipação de crédito junto de fornecedores, suspensão de contratações de novos trabalhadores, bem como a implementação de programas de licença sem vencimento temporárias", lê-se na nota, a que a Lusa teve a acesso.

A transportadora anunciou depois, num comunicado enviado pelos recursos humanos aos trabalhadores na quinta-feira à noite, a que a Lusa teve acesso, que o programa de licenças sem vencimento teria um período mínimo de 30 dias e máximo de 90 dias, abrangendo os meses de abril, maio e junho.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 3.800 mortos.

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