Coronavírus

Covid-19: Mais três detidos encontrados mortos após revolta em prisões italianas

Andrew Medichini

Revolta causada pelo anúncio de suspensão de visitas para combater surto de coronavírus.

Especial Coronavírus

Três prisioneiros foram hoje encontrados mortos na sua cela, na prisão de Rieti, a 70 quilómetros de Roma, onde ocorreu uma revolta provocada pela epidemia do novo coronavírus.

Ao todo, dez prisioneiros morreram nas prisões italianas, incluindo sete em Modena (no norte), desde o início de uma revolta no domingo, provocada pela preocupação com a epidemia e pelo cancelamento de visitas por familiares.

"Em Rieti, três prisioneiros foram encontrados sem vida esta manhã. Os resultados iniciais sugerem que as mortes podem ter sido causadas pelo uso descuidado de drogas roubadas durante a revolta de ontem [segunda-feira] na enfermaria", anunciou o Ministério da Justiça italiano, num comunicado.

Outro prisioneiro morreu na prisão de Modena "presumivelmente como resultado de uma overdose de drogas", acrescentou o Ministério, que esclareceu que o detido "tinha sido hospitalizado em estado grave".

Seis outros detidos morreram durante ou após os confrontos de domingo, na prisão de Sant'Anna, em Modena, depois de as autoridades terem anunciado que suspenderiam visitas de familiares e as ausências temporárias, como medida para combater a epidemia.

As medidas restritivas provocaram levantamentos em cerca de 20 prisões em todo o país, de Milão a Palermo, bem como em Roma e Nápoles, que, segundo as autoridades, já chegaram ao fim.

"Parece que as medidas de contenção recomendadas para todos os cidadãos não estão a ser aceites por prisioneiros, que já estão pressionados pela sobrelotação, às vezes com cinco na mesma cela", disse Mauro Delma, provedor italiano de pessoas privadas de liberdade, numa entrevista televisiva.

"Esse é o cenário propício para a explosão de situações de violência: a sensação de sentir-se num mundo à parte de tudo o que está do lado de fora", explicou Delma.

O Ministério da Justiça e alguns meios de comunicação social reportaram hoje ainda alguns distúrbios numa prisão em Bolonha, onde os prisioneiros ocupam certas secções da prisão, bem como em Caltanissetta e Enna (Sicília), Pescara (no centro) e Avellino (no sul), com grupos de prisioneiros que se recusam a regressar às suas celas.

Em Foggia (no sul), 50 prisioneiros fugitivos foram capturados e 22 ainda são procurados, segundo relatos de media.

As autoridades de saúde italianas anunciaram hoje a distribuição de 100.000 máscaras de proteção nas prisões e a instalação de 80 tendas para filtrar a entrada de prisioneiros e detetar possíveis casos de coronavírus nos estabelecimentos prisionais.

As prisões italianas sofrem um grave problema de sobrelotação, com mais de 61.000 prisioneiros em 51.000 celas.

Itália está a ser duramente atingida pela epidemia de coronavírus, tendo registado 463 mortos provocados pelo surto, com o Governo estender a todo o território, pelo menos até 03 de abril, medidas de restrições draconianas de deslocações.

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