Coronavírus

Ordem dos Médicos diz que adiamento de cirurgias não urgentes deve ser equacionado

João Relvas

Medida seria para proteger doentes no "momento crítico" que Portugal vive relacionado com o Covid-19.

Especial Coronavírus

A Ordem dos Médicos (OM) defendeu hoje que deve ser considerada a hipótese de adiar cirurgias ou consultas não urgentes para proteger doentes no "momento crítico" que Portugal vive relacionado com o surto de Covid-19.

Em declarações aos jornalistas, no Porto, à saída de uma reunião com o conselho de administração do Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ), o bastonário Miguel Guimarães disse que alguns adiamentos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) podem ser "equacionados até para proteger os doentes e libertar os médicos para poderem trabalhar nos sítios onde são necessários".

"Neste momento, que é um momento crítico, é de considerar a hipótese dos doentes que não têm necessidade absoluta de ser operados, que têm patologias benignas que podem esperar mais dois ou três meses, ou os doentes de consultas externas que estejam marcados para março ou abril e possam ser observados em junho ou julho. Se calhar era bom avançar com esse tipo de medidas para proteger esses próprios doentes", considerou Miguel Guimarães.

O bastonário advertiu que Portugal pode ter "de um momento para o outro, em dois ou três dias, de aumentar muito a capacidade de resposta", razão pela qual aconselhou que "as coisas se façam com antecipação".

"A Ordem dos Médicos aconselhou o cancelamento de reuniões científicas e congressos há duas semanas. A Ordem apelou aos médicos para ajudarem já há dois dias. Estamos totalmente disponíveis para colaborar com a senhora diretora-geral da saúde, que está a ter um trabalho extraordinário e nota-se que está cansada", disse o bastonário.

Já sobre o apelo lançado pela Ordem, ao qual mais de mil médicos responderam positivamente, estando em causa o reforço de capacidade de resposta do SNS para combater o surto de Covid-19, Miguel Guimarães revelou que "a lista inicial vai ser entregue ao Ministério da Saúde e à diretora da DGS hoje mesmo".

"A maior parte são médicos que estão no ativo e que estão a trabalhar fora do SNS, onde já estão todos a fazer horas extraordinárias e a dar o máximo de si para ajudar o sistema. Em 24 horas um número considerável de médicos ofereceu-se para ajudar (...). A falta de recursos humanos não é uma coisa especifica de Portugal (...). A integração tem de ser gerida pelo Ministério da Saúde", disse Miguel Guimarães.

O bastonário reuniu-se esta manhã com o presidente do conselho de administração do CHUSJ, Fernando Araújo, e com o diretor do serviço de infecciologia, António Sarmento, e à saída, depois de elogiar o trabalho deste equipamento hospitalar, também garantiu saber que os doentes infetados com o novo coronavírus e a ser tratados no Hospital São João "estão todos controlados".

"Não há nenhum doente neste momento que esteja a necessitar de cuidados intensivos. Não quer dizer que não possa vir a acontecer, mas estão todos controlados", referiu.

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