Coronavírus

Criada rede de voluntariado para aviar recados à população de risco na Beira Interior

Mike Segar

O objetivo é chegar à população mais isolada.

Especial Coronavírus

Uma empresa de divulgação turística e cultural está a aproveitar a sua plataforma digital para criar uma rede de prestação de serviços gratuitos, na Beira Interior, durante o período de isolamento social para conter a pandemia da Covid-19.

A 'start-up' Aqui Há Beira!, com sede no Fundão, distrito de Castelo Branco, tem como alvo da iniciativa a população de risco e pretende aviar recados urgentes, como a ida às compras ou à farmácia, mas está a encontrar forma de também dar resposta a pais, nomeadamente famílias monoparentais, que não tenham com quem deixar os filhos durante algumas horas.

Elisa Bogalheiro, diretora da empresa e uma das mentoras da ideia, disse hoje à agência Lusa que num dia foram contactadas por dez voluntários, da Covilhã e Fundão, a disponibilizarem-se para ajudar numa região do país onde "existe uma elevada taxa de envelhecimento da população".

A intenção da plataforma digital, que costuma operar entre a Guarda e Castelo Branco, é que a rede se vá alargando, com conhecidos e amigos de conhecidos, para dar garantias de segurança, especialmente também até ao Pinhal Interior, "onde há muita gente isolada".

"Neste momento não vamos estar a divulgar uma agenda cultural e turística e a apelar às pessoas para visitarem a região, porque quase tudo foi cancelado e porque é altura de as pessoas perceberem que devem evitar ajuntamentos e ficarem em casa. Encontrámos esta forma de utilizar o nosso alcance para criar uma ponte entre quem quer ajudar e quem precisa de ajuda", salienta Elisa Bogalheiro, em declarações à agência Lusa.

A rede de apoio mostra-se também disponível para dar resposta a solicitações de Juntas de Freguesia que recebam pedidos de ajuda. Logo no primeiro dia, o grupo foi contactado por uma empresa de sabão artesanal a oferecer os seus produtos a quem deles precise.

"Numa altura de açambarcamento, há também estas histórias bonitas de quem se disponibiliza para ajudar o próximo, e acreditamos que ofertas como esta vão continuar a chegar", frisa a dinamizadora da iniciativa.

Nesta altura, a rede não recebeu ainda nenhum pedido de ajuda, "porque a população está ainda autossuficiente e não se sente ainda num estado de exceção", mas Elisa Bogalheiro entende ser importante começar já a trabalhar para "sinalizar pessoas" e parceiros, para uma resposta mais eficaz quando a situação se complicar.

"Neste momento, precisamos de uma nota de algo positivo, de coisas boas, de solidariedade", vinca Elisa Bogalheiro.