Coronavírus

Governo do Rio de Janeiro contraria Bolsonaro e mantém isolamento

Pilar Olivares

Presidente do Brasil quer o fim do "confinamento em massa".

Especial Coronavírus

O governador do estado brasileiro do Rio de Janeiro defendeu hoje a continuidade de isolamento domiciliar como medida preventiva face ao novo coronavírus, contrariando o pedido do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de fim do "confinamento em massa".

"Peço mais uma vez ao povo fluminense: fique em casa. Siga as recomendações. Não queremos acabar com as empresas, exterminar empregos. Queremos preservar vidas. Ressuscitar a economia a gente consegue. Ressuscitar quem morreu é impossível. A determinação é clara: fique em casa. As soluções virão a seu tempo. O momento é de racionalidade", escreveu o governador Wilson Witzel, numa série de mensagens na rede social Twitter.

As suas declarações contrariam o apelo feito na noite de terça-feira pelo chefe de Estado brasileiro, que pediu às autoridades estaduais e municipais a reabertura de escolas e comércio, e o fim do "confinamento em massa".

"Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o encerramento do comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas", questionou Jair Bolsonaro, sublinhando que o país deve "voltar à normalidade".

Naquela que foi a sua terceira mensagem ao país sobre o novo coronavírus, transmitida na rádio e televisão, Bolsonaro declarou que a vida "tem de continuar" e que a situação "passará em breve".

"O vírus chegou. Está a ser enfrentado por nós e brevemente passará. A nossa vida tem de continuar. Os empregos devem ser mantidos. O sustento das famílias deve ser preservado", frisou.

Contudo, as declarações de Bolsonaro contrariam as recomendações do seu próprio Governo.
Na sua página 'online', o Ministério da Saúde brasileiro aconselha a população a evitar aglomerações, a reduzir as deslocações para o trabalho, defendendo o "trabalho remoto" e a "antecipação de férias em instituições de ensino", especialmente em regiões com transmissão comunitária do vírus, ou seja, quando já não conseguem identificar a trajetória de infeção.

O pronunciamento de Bolsonaro causou polémica nas classes médica e política, que condenaram o seu discurso.

Bolsonaro participou hoje numa teleconferência sobre o combate ao novo coronavírus com governantes dos estados da região sudeste do Brasil, na qual participaram, entre outros, Wilson Witzel, que garantiu estar "satisfeito" com o diálogo alcançado com o executivo federal.

"Não estou aqui para fazer política, e sim para governar. Espero que o Presidente mantenha o diálogo aberto com o Rio de Janeiro", escreveu Witzel no Twitter, no final da reunião.

Na contramão do governador, o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, indicou hoje que, a partir de sexta-feira, pretende reabrir "alguns comércios", apesar de frisar que a "quarentena é decisiva".

"Estamos a atualizr algumas medidas já tomadas. A partir de sexta-feira, começaremos a abrir, aos poucos, alguns comércios, como lojas de material de construção e lojas de conveniência (postos de gasolina). Mas vamos conscientizar a população de que não poderá haver aglomeração", informou Crivella também no Twitter.

Segundo o prefeito, "se todos colaborarem, seguindo as medidas, em 15 dias" a população do Rio de Janeiro poderá "retomar as normalidades". "A quarentena é decisiva!", sublinhou.

Na terça-feira, o Brasil ultrapassou os dois mil casos confirmados da covid-19, com o país a registar 2.201 infetados e 46 mortos, de acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde.

O mais recente balanço da pandemia no mundo

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 19.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O continente africano registou 64 mortes devido ao novo coronavírus, ultrapassando os 2.300 casos.

Dos países lusófonos, apenas São Tomé e Príncipe não tem, até ao momento, registo de contágio pelo novo coronavírus.

A Itália, que registou a primeira morte ligada ao coronavírus no final de fevereiro, tem 6.820 mortes em 69.176 casos. 8.326 pessoas são consideradas curadas pelas autoridades italianas.

Espanha superou esta quarta-feira a China em número de mortes por Covid-19. O total ascende agora a 3.434 vítimas mortais - 738 nas últimas 24 horas -, mais 153 que na China. É o segundo país com mais vítimas mortais, só atrás de Itália.

Os países mais afetados depois de Itália e Espanha são a China com 3.281 mortes para 81.218 casos, Irão com 2.077 mortes (27.017 casos), França com 1.100 mortes (22.302 casos) e Estados Unidos com 600 mortos (55.225 casos).

Desde as 19:00 de terça-feira, Camarões e Níger anunciaram as primeiras mortes relacionadas ao vírus. Líbia, Laos, Belize, Granada, Mali e Dominica anunciaram os primeiros casos.

A Europa totalizou até às 11:00 de hoje 226.340 casos (12.719 mortes), a Ásia 99.805 casos (3.593 mortes), Estados Unidos e Canadá 57.304 casos (624 mortes), Médio Oriente 32.118 casos (2.119 mortes), América Latina e Caraíbas 7.337 casos (118 mortes), Oceânia 2.656 casos (nove mortes) e África 2.382 casos (64 mortes).

Sobe para 43 o número de mortos por Covid-19 em Portugal, quase 3 mil casos

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quarta-feira a existência de 43 mortes e 2.995 casos de Covid-19.

O número de óbitos subiu de 33 para 43 em relação ao último balanço da DGS, enquanto o número de infetados aumentou de 2.362 para 2.995, mais 633 relação a ontem, uma subida que representa um aumento de 26,7%.

Há, ao todo, 22 casos recuperados a registar,

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

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