Coronavírus

Associações médicas brasileiras condenam “discurso de morte” de Bolsonaro

Antonio Lacerda / EPA

Presidente do Brasil não concorda com medidas de confinamento para conter a Covid-19.

Especial Coronavírus

Associações médicas condenaram hoje o que classificam de "discurso de morte" do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que instou a população a romper o isolamento imposto para combater a pandemia de covid-19 para evitar um colapso da economia.

Num comunicado divulgado hoje, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva classificou de "intolerável e irresponsável o discurso da morte" feito pelo chefe de Estado, numa mensagem divulgada na terça-feira e reiterada hoje.

"Nessa manifestação, incoerente e criminosa, o Sr. Jair Bolsonaro, no momento ocupante do principal cargo do Executivo Federal, nega o conjunto de evidências científicas que vem pautando o combate à pandemia da covid-19 em todo o mundo, desvalorizando o trabalho sério e dedicado de toda uma rede nacional e mundial de cientistas e desenvolvedores de tecnologias em saúde".

Na terça-feira, Bolsonaro pediu às autoridades estaduais e municipais do Brasil que reabram escolas e comércio e ponham fim ao "confinamento em massa".

"Algumas poucas autoridades estaduais e municipais devem abandonar o conceito de terra arrasada, a proibição de transportes, o encerramento do comércio e o confinamento em massa. O que se passa no mundo tem mostrado que o grupo de risco é o das pessoas acima de 60 anos. Então, por que fechar escolas", questionou o presidente brasileiro, sublinhando que o país deve "voltar à normalidade".

Bolsonaro, de 65 anos, voltou a subestimar a pandemia, ao afirmar que caso fosse infetado não precisaria de se preocupar, tendo em conta que foi um atleta.

"No meu caso particular, com o meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quanto muito, acometido por uma gripezinha ou resfriadinho", considerou.

Hoje, o Presidente brasileiro voltou a defender as mesmas ideias e disse que conversará com o ministro da Saúde para estabelecer uma quarentena vertical, isolando apenas idosos e pessoas que estão no grupo de risco.

Comentando a posição contra o isolamento social defendido por Bolsonaro, a Sociedade Brasileira de Infectologia frisou, em nota, a sua preocupação com a posição do chefe do poder executivo brasileiro.

"Neste difícil momento da pandemia de covid-19 em todo o mundo e no Brasil, trouxe-nos preocupação o pronunciamento oficial do Presidente da República, Jair Bolsonaro, ao ser contra o fechamento de escolas e ao se referir a essa nova doença infecciosa como um 'resfriadinho'".

"Tais mensagens podem dar a falsa impressão à população que as medidas de contenção social são inadequadas e que a covid-19 é semelhante ao resfriado comum. A pandemia é grave, pois até hoje já foram registados mais de 420 mil casos confirmados no mundo e quase 19 mil óbitos, sendo 46 no Brasil".

Outra organização que se pronunciou foi a Associação Paulista de Medicina. O órgão afirmou, num comunicado, que se a intenção do Presidente brasileiro foi a de acalmar a população, "a reação da sociedade mostra que ele não alcançou os seus objetivos".

"Você não traz esperança minimizando o problema, mas reforçando as soluções. Existe um perigo próximo, evidente, real e gravíssimo. Enfrentá-lo é prioritário".

O mais recente balanço da pandemia

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 19.000.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

A Itália, que registou a primeira morte ligada ao coronavírus no final de fevereiro, tem 6.820 mortes em 69.176 casos. 8.326 pessoas são consideradas curadas pelas autoridades italianas.

Espanha superou esta quarta-feira a China em número de mortes por Covid-19. O total ascende agora a 3.434 vítimas mortais - 738 nas últimas 24 horas -, mais 153 que na China. É o segundo país com mais vítimas mortais, só atrás de Itália.

Os países mais afetados depois de Itália e Espanha são a China com 3.281 mortes para 81.218 casos, Irão com 2.077 mortes (27.017 casos), França com 1.100 mortes (22.302 casos) e Estados Unidos com 600 mortos (55.225 casos).

Desde as 19:00 de terça-feira, Camarões e Níger anunciaram as primeiras mortes relacionadas ao vírus. Líbia, Laos, Belize, Granada, Mali e Dominica anunciaram os primeiros casos.

A Europa totalizou até às 11:00 de hoje 226.340 casos (12.719 mortes), a Ásia 99.805 casos (3.593 mortes), Estados Unidos e Canadá 57.304 casos (624 mortes), Médio Oriente 32.118 casos (2.119 mortes), América Latina e Caraíbas 7.337 casos (118 mortes), Oceânia 2.656 casos (nove mortes) e África 2.382 casos (64 mortes).

Sobe para 43 o número de mortos por Covid-19 em Portugal, quase 3 mil casos

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou esta quarta-feira a existência de 43 mortes e 2.995 casos de Covid-19.

O número de óbitos subiu de 33 para 43 em relação ao último balanço da DGS, enquanto o número de infetados aumentou de 2.362 para 2.995, mais 633 relação a ontem, uma subida que representa um aumento de 26,7%.

Há, ao todo, 22 casos recuperados a registar,

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.

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