Coronavírus

Brasil regista 421 mortes e 4.970 novos casos nas últimas 24 horas

Antonio Lacerda

O estado de São Paulo, epicentro da covid-19 no país, contabiliza oficialmente 2.586 mortos e 31.174 casos de infeção.

Especial Coronavírus

O Brasil registou 421 mortos e 4.970 novos infetados pelo novo coronavírus nas últimas 24 horas, totalizando 6.750 mortes e 96.559 casos de infeção, informou hoje o Ministério da Saúde do país.

De acordo com a tutela da Saúde, está ainda a ser averiguada a eventual relação de 1.330 mortes com o novo coronavírus.

O aumento no número de mortes no Brasil foi de 7%, passando de 6.329 na sexta-feira para 6.750 hoje. Em relação ao número de infetados, o crescimento foi de 5%, passando de 91.589 para 96.559 casos confirmados.

Seguem-se o Rio de Janeiro, com 971 óbitos e 10.546 casos de infeção, o Ceará, com 638 mortos e 8.309 infetados, Pernambuco, que, até ao momento, contabilizou 628 vítimas mortais e 8.145 casos confirmados, e o Amazonas, num total de 501 mortes e 6.062 pessoas diagnosticadas com covid-19.

Em todo o território brasileiro, 18 das 27 unidades federativas do país já têm mais de mil casos registados da doença: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Pará, Rio Grande do Sul, Pernambuco, Ceará, Bahia, Maranhão, Amazonas, Distrito Federal, Rio Grande do Norte, Amapá, Alagoas e Paraíba.

O Ministério da Saúde deu ainda conta da recuperação de 40.937 pacientes infetados, sendo que 48.872 doentes continuam sob acompanhamento.

Na quarta-feira, o ministro da Saúde brasileiro, Nelson Teich, disse não saber quando ocorrerá o pico da pandemia do novo coronavírus no país, acrescentando que existe uma "possibilidade real" de uma segunda vaga da doença e que a nação está a "navegar às cegas".

Segundo investigadores ouvidos pelo jornal O Globo, não há, apesar da franqueza de Teich, esforços do executivo para mudar esse cenário.Na avaliação de diferentes organizações que têm compilado estatísticas públicas sobre a covid-19 no Brasil, existe um "apagão de dados" que, segundo os especialistas, tem o seu ponto mais problemático na base de notificações de casos do Ministério da Saúde, cujo acesso está restrito a secretarias municipais e estaduais de Saúde, e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"O voo às cegas deve-se à própria atitude do ministério de fechar essas bases. É uma decisão que, para mim, parece estritamente política. Por que não libertar os dados para todos?" questionou Renato Coutinho, professor de Matemática Aplicada da Universidade Federal do ABC e integrante do Observatório Covid-19 BR, citado pelo Globo.

Desde que Teich assumiu o cargo de ministro, em substituição de Luiz Henrique Mandetta, demitido após discordar do Presidente, Jair Bolsonaro, ao defender o isolamento social como medida preventiva face à covid-19, a tutela da Saúde deixou de dar alguns dados que transmitia anteriormente, como as cidades em situação de emergência ou a incidência de infetados por cada milhão de habitantes.

"A sensação, depois de um mês de monitorização dos dados, é que tínhamos uma situação de absoluta escuridão, apagão mesmo. O que chama a atenção é o papel do Governo federal, que deveria ser liderança no processo de transparência", disse à Globo Fernanda Campagnucci, diretora-executiva da 'Open Knowledge Brasil', organização não-governamental que tem feito análises semanais do nível de transparência a nível estadual e federal.

"Embora tenha evoluído desde o início da crise, o painel de dados na internet [disponibilizado pelo Governo diariamente] traz uma informação muito pouco útil, por ser agregada e difícil de mergulhar em detalhes. O mínimo que o Governo Federal deveria fazer é abrir a base de dados completa, omitindo dados pessoais, e colocar à disposição do público", advogou Campagnucci.

O prefeito da cidade brasileira de Manaus, Arthur Virgílio Neto, pediu ajuda ao primeiro-ministro português, António Costa, queixando-se da falta de apoio do Governo de Brasília para responder à pandemia, noticiou hoje a TVI.

Numa reportagem emitida esta noite pela estação televisiva, o autarca de Manaus, capital do Estado do Amazonas, afirmou que endereçou um vídeo ao primeiro-ministro português, que disse conhecer pessoalmente e a quem pediu ajuda, a que "tem faltado do Governo Federal" brasileiro.

Arthur Virgílio Neto reportou uma "situação de desespero", de "falta de meios para enfrentar convenientemente" a doença.Manaus, cuja rede hospitalar já se encontra em rutura há algumas semanas, já começou a abrir valas comuns para agilizar os enterros.Face a esta situação, o Ministério da Saúde brasileiro anunciou hoje a contratação de 267 profissionais de saúde para reforçar o combate à pandemia no Amazonas.