Coronavírus

Hospitais ficaram "longe da rutura", revela inquérito

Inquérito da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna.

Hospitais ficaram "longe da rutura", revela inquérito
RAFAEL MARCHANTE

As taxas de ocupação das enfermarias (48,8%) e das unidades de cuidados intensivos (31,6%) para doentes com covid-19 ficaram "longe da rutura", revela um inquérito da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna divulgado.

A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) realizou um inquérito a 85 diretores de serviço de Medicina Interna dos "hospitais covid" para avaliar o envolvimento dos internistas no tratamento dos infetados pelo novo coronavírus SARS-CoV-2 e a atividade exercida com doentes não infetados.

Até ao dia 29 de abril foram obtidas 63 respostas de "hospitais covid", o que corresponde a 74% do total, adianta a SPMI em comunicado.

As conclusões apontam que "nos hospitais a lotação de camas de enfermaria covid disponíveis era de 1.963, verificando-se uma taxa de ocupação de 48,8%".

"Havia também 620 camas de intensivos para doentes covid, sendo a taxa de ocupação de 31,6%", refere o estudo, segundo o qual especialistas e internos de formação específica de Medicina Interna integraram todas as Unidades de Internamento Covid dos hospitais do país.

Em 65% das enfermarias dedicadas a estes doentes trabalharam em conjunto especialistas de Medicina Interna e muitos outros especialistas, enquanto em 35% a gestão foi integralmente assegurada por internistas, adianta a SPMI.

Foram ainda contabilizados 327 especialistas de Medicina Interna e 248 internos desta especialidade em "dedicação exclusiva ao tratamento dos doentes covid (nas enfermarias e nas Unidades Intensivas)".

Os Serviços de Medicina Interna asseguravam o tratamento em simultâneo a 3.157 doentes que não tinham covid-19.

"Estes resultados demonstram as vantagens inegáveis de ter um SNS [Serviço Nacional de Saúde] forte, com capacidade de resposta a um acontecimento inesperado, com a magnitude desta pandemia", afirma o presidente da SPMI, João Araújo Correia, em comunicado.

Para o especialista, "as taxas de ocupação das enfermarias covid (48,8%) ou dos Cuidados Intensivos Covid (31,6%), demonstram" que ficaram "muito longe da rutura".

"Estamos convencidos que o facto de Portugal ter a Medicina Interna como a especialidade base do Sistema de Saúde no Hospital (14% do total dos especialistas hospitalares), contribuiu para termos uma resposta rápida, organizada e competente", concluiu João Araújo Correia.