Coronavírus

Corrida à vacina para a Covid-19. Portugal irá receber quase sete milhões de doses

Reuters Photographer

Primeiras doses podem chegar ainda este ano.

Especial Coronavírus

Quando surgir uma vacina segura e eficaz para a covid-19, Portugal vai receber, pelo menos, 6 milhões e 900 mil doses. É a parte a que o país tem direito, do lote de 300 milhões de vacinas que a União Europeia negociou com um laboratório francês.

Se forem doses individuais, vai ser possível vacinar dois terços da população portuguesa, mas outras negociações estão em curso, diz a Autoridade Nacional do Medicamento.

O Infarmed confirma que a primeira remessa - 690 mil vacinas - pode chegar ainda este ano.

Não se sabe quanto vai custar a encomenda, mas parte do valor vai ser financiado pelo Instrumento de Apoio de Emergência da Comissão Europeia.

Austrália quer distribuir gratuitamente vacina

O último balanço mundial é de mais de 22 milhões de infetados com o novo coronavírus. O Governo australiano quer que a maioria da população seja vacinada e já tem acordo para a compra de doses que estão a ser produzidas pela Universidade de Oxford.

O Papa apela a que a distribuição da vacina não acentue ainda mais as desigualdades sociais.

"Que triste seria se a vacina da Covid-19 desse prioridade aos mais ricos"

O Papa Francisco alertou hoje contra a possibilidade de a futura vacina para a covid-19 ser propriedade de apenas uma nação sem chegar a todos ou de ser dada prioridade aos mais ricos.

"Que triste seria se a vacina da Covid-19 desse prioridade aos mais ricos. Que triste seria se fosse propriedade de uma só nação e não de todos", defendeu o chefe da Igreja Católica durante a catequese que se realizou no Palácio do Vaticano por questões de segurança.

O Papa voltou a lembrar que a "pandemia pôs a descoberto a difícil situação dos pobres e a grande desigualdade que reina no mundo", e que "o vírus, ainda que não faça diferenciações entre as pessoas, encontrou no seu caminho devastador, grandes desigualdades e discriminação" que acabou por acentuar.

Por isso, continuou, tem de haver uma resposta "dupla" à pandemia, que passa por encontrar a cura para um vírus "pequeno, mas terrível" e por se cuidar "de um grande vírus que é a injustiça social, a desigualdade de oportunidades, a marginalização e a desproteção dos mais frágeis".

O que podemos esperar da segunda vaga, para quando a vacina e quem será vacinado

Mesmo depois de vários meses a discutir e a esclarecer questões relacionadas com a Covid-19, as novas informações que vão chegando necessitam de uma elucidação. Neste momento, exitem oito vacinas na fase III dos ensaios clínicos - a última fase antes da distribuição e administração, que testa a segurança e a eficácia da vacina.

A vacina anunciada pela Rússia, que vai ser produzida em setembro e vai começar a ser administrada em janeiro de 2021, não passou por esta fase, nem tão pouco convenceu a comunidade científica, inclusive a da Rússia.

A análise de Pedro Simas, virologista do Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa, e de Vera Lúcia Arreigoso, jornalista do semanário Expresso.