Coronavírus

Covid-19. Estudo revela que crianças podem ter o vírus e anticorpos em simultâneo 

Significa que as crianças podem transmitir o vírus, mesmo que os anticorpos já tenham sido detetados.

Especial Coronavírus

Um estudo do Children's National Hospital, nos Estados Unidos, publicado esta quinta-feira no Journal of Pediatrics, concluiu que o SARS-CoV-2 e os anticorpos podem coexistir nas crianças.

"Na maioria dos vírus, quando começa a deteção anticorpos, não detetamos mais o vírus. Mas na Covid-19 conseguimos ver os dois. Isto significa que as crianças ainda têm potencial para transmitir o vírus, mesmo que os anticorpos sejam detetados", concluiu Burak Bahar, líder do estudo e diretora do Laboratório de Informática do Children's National Hospital.

A equipa que realizou o estudo analisou os dados de 33 crianças que testaram positivo para a Covid-19. Dessas, pelo menos nove apresentaram anticorpos e testaram positivo para o SARS-CoV-2.

Os investigadores também descobriram que os doentes entre os 6 e os 15 anos demoram mais tempo a eliminar o vírus, 32 dias, enquanto os pacientes entre os 16 e os 22 anos demoram 18 dias.

As raparigas da faixa etária dos 6 aos 15 anos também demoraram mais tempo se comparado com os rapazes da mesma idade. A média das meninas é de 44 dias e a dos rapazes de 25 dias.

Uma vez que o estudo foi feito apenas com pacientes até aos 22 anos, não foi possível saber se nos doentes adultos acontece o mesmo.

Anticorpos produzidos para combater Covid-19 duram pelo menos 4 meses depois do diagnóstico

Os anticorpos que o corpo humano produz para combater o novo coronavírus duram pelo menos quatro meses depois do diagnóstico e não desaparecem rapidamente, ao contrário do que apontavam alguns estudos iniciais, segundo uma descoberta científica.

Um relato, divulgado esta terça-feira, de testes a mais de 30 mil pessoas na Islândia, é o trabalho mais extenso já feito sobre a resposta do sistema imunitário ao novo coronavírus e constitui uma boa notícia para os esforços de desenvolver uma vacina.

Se uma vacina puder estimular a produção de anticorpos duradouros, como as infeções naturais fazem, vai dar esperança que "a imunidade para este imprevisível e muito contagioso vírus possa não ser efémera", escreveram peritos independentes da Universidade de Harvard e dos Institutos de Saúde dos EUA, em comentário publicado com o estudo na New England Journal of Medicine.

O novo estudo foi feito pela empresa deCODE Genetics, baseada em Reykjavik, uma subsidiária da biotecnológica norte-americana Amgen, com uma forte presença hospitalar, universitária e nos agentes de saúde na Islândia.