Coronavírus

Dizer que a vacina para a covid-19 está pronta no final do ano é "prematuro" e mostra "ignorância"

O professor da Faculdade de Farmácia de Lisboa e ex-presidente do Infarmed analisou a suspensão dos testes da vacina de Oxford na SIC Notícias.

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Dizer que a vacina para a covid-19 poderá estar pronta para administrar no final do ano ou no início de 2021 é "prematuro" e "quem diz isso só mostra alguma ignorância sobre o sistema", começa por salientar Hélder Mota Filipe, na Edição da Tarde da SIC Notícias.

Para o professor da Faculdade de Farmácia de Lisboa a suspensão dos testes "não foi surpresa nenhuma e é assim que acontece quando há alguma dúvida".

O ensaio não parou, apenas "não são recrutados mais voluntários. Até ficar esclarecido, não há entrada de mais voluntários". E "isto é o que se passa quando se desenvolvem medicamentos", explicou.

Os testes para a vacina contra o novo coronavírus da farmacêutica AstraZeneca e da Universidade de Oxford foram suspensos. Já estava na fase final, mas uma reação adversa num voluntário levou a que o processo fosse interrompido.

Hélder Mota Filipe disse que o voluntário sofreu uma alteração do tipo neurológica e que pode ter a ver com a vacina, mas pode não ter nada a ver.

"O que é fundamental para que a segurança se mantenha é garantir que aquilo que foi observado não tem a ver com a administração da vacina ou, se tem, ver quais são as causas".

O professor garantiu que o sistema europeu nunca dará uma autorização da introdução da vacina no mercado sem ser caracterizado o perfil de segurança e eficácia do medicamento.

Para terminar, esclareceu que o período de desenvolvimento da vacina "costuma demorar anos e às vezes até dezenas de anos".

OMS REFERE QUE SEGURANÇA É PRIORIDADE NUMA VACINA

A segurança de uma vacina potencial para a Covid-19 vem "em primeiro lugar", disse a cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde Soumya Swaminathan.

"Só porque falamos sobre rapidez [no desenvolvimento da vacina] ... isso não significa que vamos comprometer [a segurança] ou fazer atalhos", disse Soumya Swaminathan num evento.

"O processo ainda tem que seguir as regras do jogo. Para medicamentos e vacinas que são dados às pessoas, é preciso testar a segurança, antes de mais nada”, garantiu.

"ACORDÁMOS COM UMA MÁ NOTÍCIA". PRODUÇÃO DA VACINA "É UM FATOR DE INCERTEZA"

António Costa considera que esta é "uma má notícia" e lembra que Portugal tem de viver com a "incerteza" quanto ao aparecimento da vacina para a Covid-19.

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