Coronavírus

Hospitais privados reafirmam disponibilidade para responder à pandemia

ESTELA SILVA

O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada fala numa "relação inexistente" com o Governo.

Especial Coronavírus

O presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP), Óscar Gaspar, reiterou esta terça-feira a disponibilidade dos hospitais privados em dar resposta à pandemia da covid-19 e a outras doenças, realçando a "relação inexistente" com o Governo.

Óscar Gaspar falava aos jornalistas, no Palácio Belém, em Lisboa, após uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que está a auscultar o setor da saúde face ao agravamento da pandemia no país.

O dirigente da APHP disse "reiterar a disponibilidade" dos hospitais privados na "resposta aos problemas da covid-19" e às restantes "necessidades de saúde", defendendo que "os portugueses precisam de uma resposta mais ampla", envolvendo os setores público e privado, e que essa "colaboração era eficaz".

Segundo Óscar Gaspar, o plano apresentado pela Direção-Geral da Saúde (DGS) para o outono-inverno apresenta "falhas", uma vez que dá "ênfase ao setor público".

O presidente da APHP assinalou que, em agosto e setembro, os hospitais privados, aos quais as pessoas "estão a recorrer mais", conseguiram "dar resposta" aos doentes não-covid-19 e "aliviar o Serviço Nacional de Saúde" (SNS).

Óscar Gaspar lamentou a "relação institucional inexistente" entre a tutela e o setor privado e que só no final da semana passada tenha havido "alguns contactos" das administrações regionais de saúde de Lisboa e Vale do Tejo e do Norte para aferir a capacidade de resposta dos hospitais privados para a nova fase da pandemia de covid-19, que, a seu ver, exigia "planeamento e organização" atempados.

O líder da APHP lastimou também que, depois de abril, os hospitais privados tenham deixado de estar envolvidos na resposta à pandemia, com as autoridades de saúde a considerarem que o SNS "era autossuficiente".

Doentes não-covid encaminhados para setores privado e social

Na segunda-feira, a ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou que os doentes não-covid-19 que vejam consultas, exames ou cirurgias no SNS serem desmarcados face ao agravamento da pandemia serão encaminhados para os setores privado e social.

Numa conferência de imprensa no Ministério da Saúde, em Lisboa, a governante enfatizou que a recuperação da atividade assistencial a doentes com outras patologias tinha "apenas um diferencial de 600.000 consultas entre urgentes e não urgentes em cuidados de saúde primários até setembro face ao período homólogo, num volume de 31 milhões", mas reconheceu que o aumento exponencial de casos pode voltar a condicionar a resposta do SNS.

"O esforço de recuperação foi significativo. Nos hospitais, o cenário também foi de melhoria, mas não tão vantajoso. E tínhamos programas de recuperação da atividade assistencial com incentivos diretos aos profissionais de saúde. Mas, se isso não chegar - e admitindo que não chegue, face à desprogramação de atividade que teremos de fazer - o encaminhamento para os outros setores convencionados ocorrerá de acordo com aquilo que forem as necessidades e o interesse dos doentes", afirmou.

Marta Temido assumiu que "o governo está a equacionar e a começar a implementar medidas em que a desprogramação da atividade assistencial possa levar a que os doentes sejam canalizados para outros setores" de atividade.

A ministra da Saúde admitiu também que o governo poderá avançar com um agravamento de medidas a nível local, à semelhança do que ocorreu para os concelhos de Paços de Ferreira, Felgueiras e Lousada.

"Aquilo que o governo decidiu foi adotar o estado de calamidade para poder ter o enquadramento suficiente para, em função da avaliação de risco de cada concelho ou região, poder agravar as medidas. Essa avaliação está feita e poderá haver medidas mais graves agora decretadas", acrescentou.

Governo admite recorrer aos setores privado e social

O secretário de Estado da Saúde admitiu em meados deste mês recorrer "em caso de necessidade" no combate à pandemia de covid-19 aos setores privado e social, mas sublinhou que "a prioridade" é o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Questionado hoje sobre as declarações do chefe de Estado na conferência de imprensa sobre a covid-19, o secretário de Estado da Saúde, Diogo Serra Lopes, afirmou que "o SNS tem uma relação já longa e profícua com o setor privado e o setor social que, aliás, implica contactos diários".

"Como tal, é óbvio, que estamos sempre em contacto e caso seja necessário e caso seja essa considerada a melhor opção, recorreremos a soluções desse âmbito. De qualquer forma, a prioridade, que já tem alguns anos, é o reforço do SNS e da sua capacidade", salientou o governante.

Diogo Serra Lopes frisou que a pandemia covid-19 "demonstrou cabalmente a importância de um SNS robusto que seja capaz de responder a todo o tipo de situações", tendo para isso sido realizados "vários reforços orçamentais" para que "possa responder melhor".

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