Coronavírus

Governo prepara-se para avançar com novas medidas de controlo da pandemia

Armando Franca

Em causa está um “mapa de risco” que vai dividir o país.

Especial Coronavírus

Ao que a SIC apurou, a imposição de recolher obrigatório está para já descartada, mas o Executivo quer avançar com os chamados mapas de risco em todo o país. Uma medida que pode determinar a necessidade de confinamentos parciais, sempre que o nível de risco justifique.

A ideia é aplicar um sistema idêntico ao que regulou o acesso às praias durante o verão. Uma espécie de “mapa de risco” que vai dividir o país e determinar medidas adequadas a cada patamar. Ao que a SIC apurou, os níveis de risco serão definidos em função do número de novos infetados com covid-19 dos últimos 14 dias e do número de internamentos em enfermaria e em cuidados intensivos.

Conselho de Ministros decide no sábado

Esta é uma das medidas que estará em cima da mesa no conselho de ministros extraordinário do próximo sábado, em que o Governo se prepara para discutir também a hipótese de confinamentos parciais nos casos em que o nível de risco o justifique.

Na prática, será semelhante ao decretado em Lousada, Felgueiras e Paços de Ferreira, concelhos onde em duas semanas se registaram mais de 120 novos casos por 100 mil habitantes e onde foi imposto um “semi-confinamento” que determina, por exemplo, o dever de permanência no domicílio.

Recolher obrigatório só com estado de emergência

O Estado de Emergência está, para já, posto de lado. É um cenário que Belém e São Bento equacionam mais à frente, mas que neste momento ainda não reúne o consenso político necessário.

Sem declarar estado de emergência, há medidas mais restritivas que não podem ser impostas. É o caso do recolher obrigatório, já adotado noutros países.

Antes de avançar, o primeiro-ministro quer ouvir os partidos com assento parlamentar. António Costa recebe os partidos em São Bento na sexta-feira, enquanto em Belém o Presidente da República continua a ouvir agentes do setor da saúde.

Ao mesmo tempo, as ministras da Saúde e da Presidência ouvem epidemiologistas e infeciologistas, o ministro da Economia ouve os parceiros sociais e o Conselho Nacional de Saúde Pública volta a ser ouvido uma semana depois da última reunião.

Alemanha vai impor confinamento parcial durante um mês para combater a pandemia

A Alemanha vai impor confinamento parcial durante um mês. O país registou, nas últimas 24 horas, 14.964 novos casos de covid-19, o número mais alto desde o início da pandemia, numa altura em que o Governo se prepara para adotar medidas mais drásticas.

Angela Merkel esteve reunida reunida com os líderes dos 16 estados federados. O Governo alemão tenta evitar um confinamento generalizado, por isso durante um mês estará em vigor um confinamento parcial do país.

A medida entra em vigor na próxima segunda-feira, dia 2 de novembro, e termina no final de novembro. Os restaurantes, bares e espaços culturais vão encerrar e os ajuntamentos estão limitados a 10 pessoas de duas familias diferentes. As escolas e lojas vão permanecer abertas, desde que cumpram o distanciamento social.

Há, no entanto, dois distritos, na região da Baviera, onde o confinamento geral já vigora.

França entra em novo confinamento nacional a partir de sexta-feira

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou esta quarta-feira que França entra em novo confinamento nacional a partir de sexta-feira e que vai vigorar pelo menos até 1 de dezembro. O Chefe de Estado expressou a necessidade de proteger "todos os franceses", ao mesmo tempo que protege a economia.

Bares, restaurantes e lojas não essenciais vão fechar novamente, pelo menos até 1 de dezembro. Creches e escolas vão continuar abertas com protocolos de saúde reforçados, no entanto estabelecimentos de ensino superior vão adotar o ensino online. As visitas a lares de idosos e centros de dependência estarão autorizadas.

Sempre que possível deverá ser adotado o "teletrabalho generalizado". A grande diferença para o primeiro confinamento é que todos os balcões de serviços públicos deverão permanecer abertos.

Mais 24 mortes e 3.960 casos de Covid-19 em Portugal

A Direção-Geral da Saúde (DGS) anunciou no boletim diário desta quarta-feira que há mais 24 mortes e 3.960 novos casos de covid-19 em Portugal. O número de mortes subiu de 2.371 para 2.395, mais 24 do que na terça-feira - 8 ocorreram na região de Lisboa e Vale do Tejo, 11 no Norte, 4 na região Centro e 1 no Alentejo. Já o número de infetados subiu de 124.432 para 128.392, mais 3.960 casos.

Há mais 47 doentes internados, totalizando 1794. Nos cuidados intensivos estão 262 doentes, mais 9 em relação a terça-feira.

Quanto a doentes recuperados há mais 1.657, totalizando 74.001 desde o início da pandemia.

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