Coronavírus

Vacina contra covid-19. Reações alérgicas “dependem dos componentes específicos”

Ana Todo Bom sublinha que a vacinação não deve ser afastada na totalidade das pessoas com alergias graves.

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O caso dos dois profissionais de saúde que fizeram uma reação alérgica à vacina da Pfizer e da BioNTech levantou questões. O Reino Unido decidiu foi suspender a administração da vacina contra a covid-19 em pessoas com alergias graves, mas Ana Todo Bom, professora da Faculdade de Medicina e diretora do serviço de imunoalergologia do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra, acredita que a decisão “vai ser revista”.

“As reações previsíveis que podem acontecer dependem dos componentes específicos e da alergia que as pessoas têm a esses componentes. Pode haver doentes que reajam especificamente, por exemplo, a componentes que estão presentes na vacina da Pfizer e que já não reajam a componentes que estão presentes noutras vacinas, por exemplo da Moderna”, explica a professora.

Ana Todo Bom lembra que os dois profissionais “teriam na sua história clínica, reações adversas graves, anafilaxias ou até choques anafiláticos”, uma vez que já lhes tinha sido prescrito uma caneta de adrenalina – utilizada em caso de SOS para combater reações alérgicas.

Este aviso por parte das autoridades britânicas aplica-se apenas a pessoas com alergias graves, sublinha a diretora do serviço de imunoalergologia. No entanto, considera que a decisão deverá vir a ser revertida, uma vez que vacinas diferentes podem ter contraindicações para diferentes tipos de doentes.

“Nós não podemos passar a mensagem de que doentes que já estão com a sua vida um bocadinho limitada por reações anafiláticas a certos medicamentos, alimentos, etc., que têm de ter uma vida um bocadinho mais cuidada, que ficam agora globalmente afastados de uma medicação que pode ser muito importante para as nossas vidas”, afirma a professora.