Coronavírus

Pessoas com "fortes reações alérgicas" não devem tomar a vacina da Pfizer contra a covid-19

Hari Shukla, de 87 anos, recebe a vacina contra a covid-19 da Pfizer/BioNTech a 8 de dezembro de 2020 no Royal Victoria Infirmary, Newcastle

Owen Humphreys / POOL

Estão a ser investigados dois casos de reações alérgicas nas primeiras pessoas a tomar a vacina no Reino Unido.

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Os reguladores britânicos da saúde e medicamento avisam hoje que pessoas com "historial de fortes reações alérgicas" não devem tomar vacina da PfizerBioNTech contra a covid-19.

O diretor do National Health Service (NHS) para a Inglaterra, o professor Stephen Powis, aconselhou hoje a quem tenha um "histórial significativo" de reações alérgicas não tome a nova vacina da Pfizer-BioNTech enquanto são investigada duas reações adversas que ocorreram no primeiro dia do programa de vacinação no Reino Unido, avança a agência AP.

A responsável da agência do medicamento britânica MHRA, June Raine, declarou hoje perante o Parlamento que existem dois relatórios que relatam possíveis reações alérgicas em algumas das pessoas que receberam esta terça-feira as primeiras vacinas.

"Estamos a analisar dois relatórios de casos de reações alérgicas", afirmou perante a comissão parlamentar. “Sabemos que nos extensos ensaios clínicos isto não aconteceu".

Terça-feira, 8 de dezembro, foi o dia do início da campanha de vacinação no Reino Unido. Uma mulher de 90 anos da Irlanda do Norte foi a primeira pessoa no mundo a receber a vacina da Pfizer/BioNTech para a covid-19 fora de um ensaio clínico,

Dois profissionais de saúde com reação à vacina

Segundo a BBC, o NHS confirmou que dois profissionais de saúde tiveram uma reação alérgica após receberem a primeira das duas doses da vacina, mas avançou que ambos estão bem.

“Como é comum com novas vacinas, o MHRA aconselhou, por precaução, que pessoas com histórico significativo de reações alérgicas não recebessem esta vacina depois de duas pessoas com histórico de reações alérgicas significativas terem ontem tido uma resposta negativa", disse Stephen Powis em comunicado. “Ambos estão a recuperar bem”

Pouco depois de serem vacinados, os dois profissionais de saúde sofreram um "choque anafilático", mas recuperaram ao receber o tratamento adequado, de acordo com as autoridades sanitárias.

Este tipo de reações alergias são repentinas e generalizadas, começando geralmente com uma sensação de formigueiro e tontura.

O NHS declarou que todos os hospitais ingleses participantes neste programa foram informados.

Os reguladores britânicos da saúde e medicamento pedem também que os centros onde as vacinas estão a ser administradas tenham instalações adequadas para atender aos afetados em caso de algum tipo de reação.

Os mais recentes avanços nas vacinas e tratamento contra a Covid-19

Desde o início de novembro têm surgido várias boas notícias sobre os avanços no desenvolvimento de uma vacina contra o SARS-CoV-2. O Reino Unido foi o primeiro país a aprovar uma das vacinas e a iniciar a campanha de vacinação..

► As farmacêuticas Pfizer e BioNTech anunciaram na segunda semana de novembro que a sua vacina BNT162b2 contra a Covid-19 alcançou 90% de eficácia nos testes. Uma semana depois anunciaram ter concluído os testes com 95% de eficácia. A 19 de novembro o responsável da BioNtech revelou a possibilidade de a vacina poder começar a ser administrada antes do Natal e anunciou no dia seguinte que tinha apresentado um pedido de emergência para aprovação junto da FDA.

O Reino Unido é o primeiro país a aprovar a vacina da Pfizer/BioNTech e a 8 de dezembro é o primeiro país a iniciar a campanha de vacinação contra a covid-19.

► A vacina que está a ser desenvolvida pela universidade de Oxford e pela farmacêutica AstraZeneca - ChAdOx1 nCoV-19- demonstrou ser segura e provocar uma resposta imunitária em pessoas mais idosas na fase 2 do ensaio clínico. Os resultados finais vão ser apresentados "antes do Natal", assegurou o líder da investigação.

Esta vacina já sofreu entretanto dois revezes: a 23 de novembro foi noticiado que a eficácia de 90% foi obtida devido a erro na dosagem e, a 26 de novembro, soube-se que um erro no fabrico põe em causa eficácia. Nesse mesmo dia a farmacêutica anunciou que será feito um ensaio adicional para validar eficácia da vacina, o que vai atrasar a aprovação e produção.

► Na Rússia, o porta-voz do ministro da Saúde assegurou no início de novembro que a vacina que está a ser desenvolvida no país - a Sputnik V - tem uma taxa de eficácia superior a 90% e o Presidente russo veio no dia seguinte garantir que "todas as vacinas russas contra a Covid-19 são eficazes"

► A vice-Presidente russa anunciou que os testes clínicos da segunda vacina russa contra a Covid-19, a EpiVacCorona que está a ser desenvolvida pelo Instituto Vector, começariam a 15 de novembro,

► O ensaio clínico da potencial vacina CoronaVac da chinesa Sinovac chegou a ser suspenso no Brasil devido a "efeito adverso grave.", embora a empresa chinesa reafirme a confiança no produto, indicando que o efeito secundário não está relacionado com a vacina. Os testes foram retomados no dia 11.

► A 16 de novembro a farmacêutica Moderna revelou que a sua vacina experimental tem uma eficácia de 94,5% e, a 2 de dezembro,que produziu anticorpos persistentes 90 dias após a aplicação

► Os Emirados Árabes Unidos afirmam que vacina chinesa da Sinopharm tem 86% de eficácia contra a covid-19. A 9 de dezembro anunciam terem concluído os testes clínicos, terem registado e aprovado o uso da vacina para casos de emergência.

► A agência norte-americana do medicamento (FDA) deu uma autorização de utilização de emergência e temporária de um medicamento experimental para a Covid-19 fabricado pela Eli Lilly, mas apenas para doentes com sintomas ligeiros ou moderados e não para hospitalizados a necessitar de oxigénio.

Este tratamento experimental com anticorpos sintéticos é o primeiro especificamente desenvolvido para o novo coronavírus.

► A 21 de Novembro a FDA concedeu a autorização de emergência à empresa de biotecnologia Regeneron para a utilização no país do tratamento com anticorpos monoclonais que o Presidente dos EUA recebeu em outubro contra a covid-19.

Os diferentes projetos de vacina mais avançados

Mais de 1,5 milhões de mortos e 68 milhões de casos no mundo

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 1.557.814 mortos e mais de 68.208.890 de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP esta quarta-feira de manhã..

Os países que registaram o maior número de novas mortes são os Estados Unidos, Brasil e França.

Entre os países mais atingidos, a Bélgica é o que tem o maior número de mortes em relação à sua população seguida pelo Peru, Espanha e Itália .

Portugal regista 5.122 mortes e 327.976 casos de covid-19

Portugal registou nesta terça-feira mais 2.905 de infeção e mais 81 mortes associadas à doença covid-19, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde.

Desde o início da pandemia morreram em Portugal 5.122 pessoas dos 327.976 casos de infeção confirmados.

Há menos 14 doentes internados nas Unidades de Cuidados Intensivos, totalizando 499. Em relação aos internamentos em enfermaria, há menos 104 pessoas internadas, totalizando agora 3.263.

A DGS refere também que as autoridades de saúde têm em vigilância 77.765 contactos, mais 267 em relação a segunda-feira, e que foram dados como recuperados mais 6.585, num total acumulado de 252.428 desde o início da pandemia.

Links úteis

Mapa com os casos a nível global