Coronavírus

Proibida circulação entre concelhos e recolher obrigatório às 13:00 no fim de semana em quase todo o país

MANUEL DE ALMEIDA

Conheça as novas medidas de combate à pandemia em Portugal.

Saiba mais...

O primeiro-ministro António Costa anunciou esta quinta-feira as novas medidas de combate à pandemia em Portugal, após mais uma reunião do Conselho de Ministros.

A proibição de circulação entre concelhos no fim de semana aplica-se a todos os municípios do continente, enquanto o recolher obrigatório às 13:00 de sábado e domingo abrange apenas 253 municípios.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, aplica-se "a todo o território nacional continental a proibição de circulação entre concelhos entre as 23:00 do dia 8 de janeiro e as 05:00 do dia 11 de janeiro de 2021, salvo por motivos de saúde, de urgência imperiosa ou outros especificamente previstos".

Minutos antes, em conferência de imprensa para anunciar as medidas da renovação do estado de emergência até 15 de janeiro, o primeiro-ministro, António Costa, disse que o Conselho de Ministros aprovou "estender as regras atualmente em vigor para o próximo período" e, "por uma medida cautelar", determinar que "durante o próximo fim de semana se aplicarão por igual a todos os concelhos do país com mais de 240 novos casos por 100 mil habitantes a regra da proibição da circulação interconcelhia e a regra da proibição da circulação na via pública após às 13:00".

Clarificando a informação inicial, o comunicado do Conselho de Ministros explica que a proibição de circulação entre concelhos durante o próximo fim de semana aplica-se a todo o território continental, inclusive aos 25 concelhos no nível de risco moderado de transmissão da doença, com menos de 240 casos da covid-19 por 100 mil habitantes.

Quanto ao recolher obrigatório entre as 13:00 e as 05:00 durante o próximo fim de semana, ou seja, proibição de circulação na via pública, a medida estende-se a todos os concelhos de risco elevado no território continental, com mais de 240 casos da covid-19 por 100 mil habitantes.

Segundo o primeiro-ministro, esta medida só não se aplica em "25 concelhos, em que o número de novos casos por 100 mil habitantes é inferior a 240".

Os 25 concelhos que se encontram no nível de risco moderado, com menos de 240 casos de infeção por 100 mil habitantes acumulados a 14 dias, são:

Desta forma, dos 278 concelhos do território continental, 253 estão sujeitos a medidas de confinamento no próximo fim de semana, o que inclui os municípios no nível de risco de transmissão elevado (entre 240 e 480 casos por 100 mil habitantes), muito elevado (entre 480 e 960) e extremamente elevado (mais de 960).

“Cada dia pode contar”, afirmou o primeiro-ministro, referindo que “pode ser útil não esperar por dia 15 para tomarmos novas decisões e que possam ser tomadas na sequência do que se vier confirmar a dia 12”.

MANUEL DE ALMEIDA

Costa afasta no imediato suspensão da atividade letiva nas escolas

O primeiro-ministro descartou ainda avançar no imediato com a suspensão da atividade letiva nas escolas devido à evolução negativa da pandemia, mas admitiu medidas mais restritivas a partir da próxima semana.

"Há um grande consenso hoje entre os técnicos e os especialistas de que não se justifica afetar o funcionamento do ano letivo. Não devemos ter medidas que impliquem, como adotámos no ano letivo passado, a interrupção da atividade letiva", afirmou o chefe do Governo.

António Costa adiantou também que vai ouvir os parceiros sociais e os restantes partidos políticos sobre a hipótese da adoção de medidas mais restritivas. Questionado sobre o cenário de um novo confinamento, rejeitou antecipar medidas e assinalou a sua "esperança" de que o aumento de casos dos últimos dois dias não se prolongue até à próxima semana.

"O que temos feito até agora é fazer incidir as medidas sobre o fim de semana; um passo em frente significa estender ao resto da semana esse tipo de medidas, portanto, adotar medidas de confinamento mais geral, do tipo que adotámos em março passado. Não queria estar a antecipar medidas, como a esperança é a última a morrer, devemos ter a esperança de que os números de ontem e hoje sejam ainda um ajustamento do período que vivemos nas últimas semanas e que os dados daqui até dia 12 não confirmem esta evolução. Se o confirmarem, é necessário fazer o que é necessário fazer", vincou.

No horizonte do primeiro-ministro está agora a reunião com especialistas e técnicos, agendada para terça-feira no Infarmed, que deverá clarificar a evolução da pandemia no país e abrir caminho à possível adoção de medidas mais restritivas.

"Entendemos que devíamos aguardar pelo início da próxima semana para podermos dispor de dados mais sólidos, tendo em conta que o período de Natal - seja porque houve mais circulação e um menor número de testes realizados - dava indicações bastante dispares da evolução da situação", observou António Costa, acrescentando: "Decidimos aguardar pela sessão no Infarmed no próximo dia 12 para podermos ter uma melhor clarificação da situação real da pandemia no país".

O primeiro ministro relembrou o 'salto' do número de novos casos nos últimos dias, referindo que "os números registados na terça-feira passada eram 4.956" e na quarta-feira "já foram superiores a 10 mil" e anunciando ainda antes da divulgação do boletim epidemiológico de hoje da Direção-Geral da Saúde que "os novos casos praticamente chegam aos 10 mil outra vez".

MANUEL DE ALMEIDA

Na quinta-feira, o Presidente da República decretou a renovação do estado de emergência por mais oito dias, até 15 de janeiro, para permitir medidas de contenção da covid-19.

Mais 95 mortes e 9.927 casos de covid-19 em Portugal nas últimas 24 horas

Portugal contabiliza esta quinta-feira mais 95 mortes relacionadas com a covid-19 e 9.927 novos casos de infeção com o novo coronavírus, segundo o relatório diário da Direção-Geral da Saúde (DGS).

Desde o início da pandemia, Portugal já registou 7.472 mortes e 456.533 casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2, estando esta quinta-feira ativos 93.360 casos, mais 6.356 em relação a ontem.

Quanto aos internamentos hospitalares, o boletim epidemiológico da DGS revela que estão internadas 3.333 pessoas, mais 40 do que ontem, e 514 em cuidados intensivos, mais um.