Coronavírus

Especialista prevê alívio de medidas de restrição na UE após vacinação de grupos de risco

Araceli, de 96 anos, foi a primeira pessoa a receber a vacina Pfizer-BioNTech em Espanha, em Guadalajara.

PEPE ZAMORA / EPA

Previsões para o outono.

Especial Coronavírus

O especialista Pasi Penttinen, do Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), admite um alívio das restrições para a covid-19 após vacinação dos grupos de risco na União Europeia (UE), pedindo esforços "por mais algum tempo".

"A minha previsão é de que teremos os idosos protegidos por altura do verão em muitos países, nos próximos seis a oito meses, e isto claro elimina parte considerável das consequências graves da doença", afirma o especialista principal do ECDC para o novo coronavírus e gripe, Pasi Penttinen, em entrevista à agência Lusa.

Depois dessa vacinação dos grupos de risco - que inclui também pessoas com patologias graves, profissionais de saúde e funcionários de lares, dependendo dos planos de cada país -, "a equação para calcular as medidas a adotar será muito diferente no período do outono", aponta o especialista.

Assim, depois do verão, com "todas as pessoas mais velhas vacinadas protegidas contra os efeitos graves da doença", os países deverão começar a aliviar as restrições, de acordo com Pasi Penttinen.

"Precisamos de nos esforçar por mais algum tempo", realça o cientista, admitindo ser "bastante difícil para várias partes da população aceitar este tipo de medidas porque já passou muito tempo", dadas as consequências socioeconómicas.

Além disso, "temos de esperar pela vacinação", acrescenta.

"A vacinação está neste momento a decorrer para proteger os idosos e as pessoas que poderiam ter consequências mais graves da doença, o que é o primeiro passo, mas é preciso aguardar que os procedimentos de vacinação estejam suficientemente avançados para reduzir a transmissão comunitária", insiste o responsável.

Duas vacinas autorizadas na UE, mais quatro "em carteira"

Há duas semanas, está em marcha a vacinação de alguns cidadãos da UE com os fármacos desenvolvidos pela Pfizer e BioNTech, esperando-se que nos próximos dias o mesmo aconteça com a vacina da Moderna.

Até ao momento, a Agência Europeia de Medicamentos só autorizou estas duas vacinas, mas até final do mês deverá dar 'luz verde' à vacina da farmacêutica AstraZeneca com a universidade de Oxford.

Além destas duas, a Comissão Europeia tem uma carteira com quatro outras potenciais vacinas: AstraZeneca, Sanofi-GSK, Johnson & Johnson e CureVac.

"Gostaria de realçar o facto de este ser um sucesso sem precedentes. Exatamente um ano depois da identificação do vírus, que se tornou numa pandemia, nós já temos no mercado europeu duas vacinas e esperamos a autorização para uma terceira dentro de semanas", observa Pasi Penttinen.

Desenvolvimento de vacinas para a covid-19 em tempo recorde

Para o especialista, o desenvolvimento de vacinas para a covid-19 em tempo recorde foi "a melhor notícia da pandemia", que resultou do "esforço inacreditável" da indústria e dos sistemas de saúde.

Porém, Pasi Penttinen vinca que "é preciso haver uma maior capacidade de produção" para responder às necessidades de todos os países da UE, isto numa altura em que muitos pedem uma aceleração do fabrico.

O responsável afirma, ainda, que o "grande desafio" será quando os países passarem de vacinar grupos específicos para o fazerem a toda a restante população, obrigando a maior logística.

Sediado na Suécia, o ECDC tem como missão ajudar os países europeus a dar resposta a surtos de doenças.

Imunidade de grupo mundial não deverá ser atingida em 2021 devido ao acesso às vacinas

A Organização Mundial de Saúde alerta para o facto de que a imunidade de grupo mundial não deverá ser atingida em 2021, devido às diferenças nacionais de acesso às vacinas.

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