Coronavírus

Pais e diretores concordam com fecho das escolas. Partidos criticam "desgoverno"

Há ainda quem deixa alertas sobre o que poderá acontecer daqui a 15 dias.

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Durante pelo menos os próximos 15 dias não há aulas, nem presenciais nem à distância, para os alunos de todos os níveis de ensino, como forma de conter a pandemia da covid-19. Uma decisão com a qual o PSD e o CDS concordam, mas não entendem porque demorou tanto a ser tomada.

Pais e diretores também apoiam o fecho das escolas, mas a Federação Nacional Dos Professores diz que o encerramento podia ter sido evitado. A solução teria passado por fazer mais testes desde o início do ano letivo.

Preparar o que vem aí

Agora, com este encerramento, a Fenprof espera que o Governo aproveite para preparar o que acontece no fim destes 15 dias.

"Sabemos que os computadores não chegaram a todos os alunos, aliás, à esmagadora maioria dos alunos não chegaram. Que as condições para o ensino à distância de qualidade não estão criadas. Esta interrupção é durante 15 dias e nós não sabemos o que vai acontecer daqui a 15 dias", explicou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira.

Os pais e os diretores aplaudem o fecho das escolas, que dizem ser lugares seguros, mas preferiam que, nestas duas semanas, os alunos tivessem aulas à distância.

"Eu queria saudar esta medida, esta estratégia. Podia ser uma estratégia de 15 dias com ensino não presencial, à distância. O senhor primeiro-ministro optou pela suspensão das atividades letivas", afirmou Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas.

"Vamos esperar que, durante estes 15 dias, as pessoas percebam porque esta é uma responsabilidade de cidadania que não foi cumprida, que não tem sido cumprida. Porque as escolas não são um local de perigo", acrescenta Jorge Ascenção, da Confederação das Associações de Pais.

Duras críticas na política

Na política, PSD e CDS concordam com a decisão do Governo. Ainda assim, deixam duras críticas.

"Foi anteontem que o senhor primeiro-ministro esteve aqui no Parlamento que eu tive ocasião de o confrontar com esta matéria e o tom assertivo, quase que arrogante, com que o senhor primeiro-ministro me garantia que não havia nenhuma necessidade de fechar as escolas", atirou Telmo Correia, deputado do CDS.

Rui Rio acrescenta: "Isto é, obviamente um desgoverno".

"Nós temos naturalmente de lamentar que agora fechem as escolas e os alunos ainda vão ter uma situação pior do que aquela que tiveram em abril, na exata medida que não vão ter as aulas à distância", aponta o líder do PSD.

Pausa letiva de 15 dias será compensada no calendário escolar

A ordem de encerramento para as escolas é de 15 dias, mas a decisão vai ainda ser reavaliada. A interrupção ser compensada no calendário escolar, através da redução ou eliminação do tempo de férias.

O Governo promete manter as refeições aos alunos necessitados e as aulas às crianças com necessidades educativas especiais. Também as comissões de proteção irão continuar a funcionar.

As escolas estarão ainda abertas para acolher crianças até aos 12 anos, cujos pais trabalhem em áreas essenciais – como a saúde, forças de segurança, transportes, comunicações, entre outras.

Para quem tenha dependentes com menos de 12 anos e seja forçado a deixar de trabalhar para tomar conta das crianças, o Estado irá avançar com o pagamento de 66% do vencimento, até um máximo de 1.995 euros.

Já no ensino superior, a interrupção não será obrigatória, mas sim recomendada. As universidades e politécnicos têm autonomia própria e deverão passar as aulas para o online.