Coronavírus

Marcelo termina ronda com partidos. BE e PSD pedem plano para desconfinamento, PS mais cauteloso

MIGUEL FIGUEIREDO LOPES/PR

Presidente da República defende futuro desconfinamento por fases, mas não sem os números descerem para "patamares mais geríveis pelo Serviço Nacional de Saúde".

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, terminou esta quarta-feira mais uma ronda de audiências com os partidos políticos sobre a renovação do estado de emergência para conter a pandemia da covid-19.

PR propõe renovar estado de emergência e quer desconfinamento planeado por fases

O chefe de Estado ouviu, por videoconferências, o BE, PSD e PS, um dia depois das audiências com a IL, Chega, PEV, PAN, CDS-PP e PCP, e já enviou mais um projeto de decreto para renovar o estado de emergência à Assembleia da República.

Numa nota publicada no site da Presidência, Marcelo Rebelo de Sousa defende que "o futuro desconfinamento deve ser planeado por fases, com base nas recomendações dos peritos e em dados objetivos".

Acrescenta que "continua, infelizmente, a manter-se a situação de calamidade pública provocada pela pandemia covid-19" e que "não é recomendado pelos peritos reduzir ou suspender, de imediato, as medidas de restrição dos contactos, sem que os números desçam abaixo de patamares mais geríveis pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS), que sejam aumentadas as taxas de testagem e a vigilância de novas variantes, que a vacinação possa cobrir uma parte significativa da população mais vulnerável para a covid-19, contribuindo para uma crescente imunidade de grupo".

Por isso, "Impõe-se, em consequência, renovar uma vez mais o estado de emergência, para permitir ao Governo continuar a tomar as medidas mais adequadas para combater esta fase da pandemia".

Partidos insistem na criação do plano de desconfinamento

À semelhança do que aconteceu à saída das reuniões de terça-feira com os restantes partidos, Bloco de Esquerda e PSD insistiram na urgência do Governo definir um plano para o desconfinamento. O PS pede prudência.

BE diz ser “muito preocupante” falta de plano para o desconfinamento

Catarina Martins afirmou ser preocupante que o Governo não tenha ainda um plano para o desconfinamento. Depois da reunião com o Presidente da República, disse também que as escolas precisam de mais meios para poderem reabrir.

A coordenadora do Bloco de Esquerda explica que o plano de desconfinamento não é apenas as datas em que se vai reabrir, mas também as condições concretas que existirão nas escolas. Acrescenta que não existir nenhum plano sobre essa matéria a esta altura é “muito preocupante”.

"O que sabemos hoje é que o povo português cumpriu na sua obrigação de controlar a pandemia. Infelizmente o Governo não cumpriu porque os apoios sociais e apoios à economia tardam a chegar e este tem sido um confinamento muito pesado, não cumpriu porque não temos ainda um plano de desconfinamento".

Rui Rio pede ao Governo planeamento "urgente" dos critérios para desconfinar

O presidente do PSD, Rui Rio, defendeu ser "absolutamente vital" que o Governo apresente um plano que determine, ouvidos os técnicos, em que circunstâncias e com que critérios o país pode desconfinar. Em declarações aos jornalistas na sede nacional do PSD, no final da audiência com o Presidente da República, Rui Rio considerou que essa é uma tarefa "urgente".

"Para fazer um plano, hoje já é tarde", alertou.

O líder social-democrata salientou que o importante não é definir qual é "o dia, mês ou semana" em que se inicia o desconfinamento, mas quais os critérios que o país tem de atingir para o fazer, em número de casos, de internados em enfermaria e cuidados intensivos e no índice de transmissão.

Rui Rio defendeu que o Governo já dispõe de dados suficientes para definir esse plano e, questionado porque não o tem ou não o apresenta, atribuiu-o a incapacidade.

Ainda assim, o voto favorável do PSD à renovação do estado de emergência na quinta-feira não está em causa.

"O estado de emergência não são as medidas que o Governo toma, é o quadro legal de que necessita, tenho é de pressionar o Governo para as tomar e não tirar esse instrumento básico", disse.

PS diz que é preciso evitar precipitações quanto ao desconfinamento

O secretário-geral adjunto do PS considerou que a atual situação sanitária do país exige a continuação do confinamento geral e advertiu que pressões para o desconfinamento conduzem a precipitações na contenção da covid-19.

"A evolução dos indicadores da pandemia é positiva, mas continua a exigir cuidados redobrados. Os indicadores de contágio baixaram, o índice de transmissibilidade está no nível mais baixo desde o arranque da pandemia e, por outro lado, a vacinação está a decorrer de acordo com as metas previstas, mantendo-se a expectativa de até ao fim de setembro haver 70% da população imunizada", apontou o "número dois" da direção do PS.

No entanto, de acordo com José Luís Carneiro, "o recurso aos cuidados hospitalares" e o número de doentes em cuidados intensivos, embora tenham diminuído, "continuam a ter níveis muito significativos".

O secretário-geral adjunto do PS criticou depois os setores que estão a pedir ao Governo medidas de desconfinamento do país.

"Os portugueses têm vindo a fazer grandes sacrifícios e não podemos deitar por terra esse esforço que tem vindo a ser feito. Temos de evitar que as pressões conduzam a precipitações", advertiu.

José Luís Carneiro adiantou que o Governo está a preparar com autoridades de saúde o plano de desconfinamento, "observando os indicadores, procurando verificar se eles se consolidam e extraindo conclusões tão sólidas quanto possíveis para decidir sem precipitações".

Parlamento vota esta quinta-feira renovação do estado de emergência

Na quinta-feira, o Parlamento reúne-se em plenário para debater e aprovar a provável renovação do estado de emergência, que terá efeitos entre 2 e 16 de março e será a 12.ª declaração na atual conjuntura de pandemia de covid-19.

O atual período termina às 23:59 da próxima segunda-feira, 1 de março.

Para decretar o estado de emergência, o Presidente da República tem de ouvir o Governo e de ter autorização da Assembleia da República, que nas últimas três renovações foi dada com votos a favor de PS, PSD, CDS-PP e PAN, abstenção do BE e votos contra de PCP, PEV, Chega e Iniciativa Liberal.

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