Coronavírus

Covid-19. "Desconfinar a correr será tentador e leviano"

MIGUEL FIGUEIREDO LOPES

Marcelo desaconselha desconfinamento antes da Páscoa por prudência e segurança.

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O Presidente da República desaconselhou esta quinta-feira um desconfinamento antes da Páscoa, por "uma questão de prudência e de segurança", argumentando que esse período é "arriscado para mensagens confusas ou contraditórias".

Numa declaração ao país, a partir do Palácio de Belém, em Lisboa, após ter decretado a renovação do estado de emergência até 16 de março, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que é preciso "ganhar até à Páscoa o verão e o outono deste ano".

"Por outras palavras, a Páscoa é um tempo arriscado para mensagens confusas ou contraditórias, como, por exemplo, a de abrir sem critério antes da Páscoa, para nela fechar logo a seguir, para voltar a abrir depois dela. Quem é que levaria a sério o rigor pascal? É, pois, uma questão de prudência e de segurança manter a Páscoa como marco essencial para a estratégia em curso", acrescentou.

Antes, o chefe de Estado apontou como desafio ao Governo, a quem compete agravar ou aligeirar as medidas de contenção da covid-19, "basear-se na consciência de quem decide, e não na preocupação de seguir a opinião de cada instante", que "ora quer fechar por medo, ora quer abrir por cansaço".

"Decidir em consciência é fundar-se em critérios objetivos e claros, como são os de indicadores da gravidade da pandemia, da pressão nas estruturas de saúde, da vacinação, da testagem, do rastreio e deve ter presentes os sinais certos a dar aos portugueses", sustentou.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou que este é um momento em que tem de haver "a solidariedade institucional e a solidariedade estratégica entre o Presidente da República, a Assembleia da República e o Governo" e assegurou que "assim continuará a ser".

"Sendo certo que o Presidente da República é, pela natureza das coisas, o principal responsável", reiterou.

Regras devem manter-se inalteradas até 16 de março

O Conselho de Ministros esteve reunido esta quinta-feira para discutir as medidas que irão concretizar o 12.º estado de emergência, mas com António Costa a ter de presidir ao Conselho Europeu durante a tarde, a reunião foi interrompida e as decisões serão conhecidas esta sexta-feira.

Ao que a SIC apurou, não haverá alterações substanciais às regras em vigor. Ou seja, durante os próximos 15 dias, mantém-se o dever geral de recolhimento domiciliário, as escolas permanecem encerradas, assim como a generalidade do comércio, e continua a proibição de deslocação entre concelhos ao fim de semana.

Mas com o desconfinamento em vista, é de esperar que o Governo aprove já esta sexta-feira os critérios para um plano robusto de testagem em setores-chave que permita, nomeadamente, começar a preparar a reabertura das escolas.

JOSÉ SENA GOULÃO

Renovação do estado de emergência aprovada no parlamento

O Parlamento aprovou esta quinta-feira a renovação do estado de emergência até 16 de março, para permitir medidas de contenção da covid-19.

A renovação do estado de emergência, o 12.º desde o início da pandemia, foi aprovada com os votos a favor de PS, PSD, CDS, PAN e da deputada não inscrita Cristina Rodrigues, os votos contra de PCP, Os Verdes, Iniciativa Liberal, Chega e Joacine Katar Moreira e a abstenção do Bloco de Esquerda.

A votação desta quinta-feira foi idêntica à que se verificou nas três anteriores renovações do estado de emergência, aprovadas no parlamento e decretadas pelo Presidente da República em 13 e 28 de janeiro e em 11 de fevereiro.

No texto introdutório do diploma enviado para o Parlamento, o Presidente da República defende que "o futuro desconfinamento deve ser planeado por fases, com base nas recomendações dos peritos e em dados objetivos, como a matriz de risco, com mais testes e mais rastreio, para ser bem-sucedido".

Marcelo Rebelo de Sousa considera que se impõe manter o estado de emergência para "permitir ao Governo continuar a tomar as medidas mais adequadas para combater esta fase da pandemia" de covid-19, mas pede ao executivo que "aprove igualmente as indispensáveis medidas de apoio" às famílias e empresas, incluindo moratórias e apoios a fundo perdido.

JOSÉ SENA GOULÃO

"Não há culpados, há uma doença", afirma Marta Temido

A ministra da Saúde negou esta quinta-feira que existam culpados, mas sim "uma doença" que levou às medidas de confinamento geral em janeiro, permitindo uma melhoria do número de casos de covid-19, mas avisou que "há muito caminho para fazer".

"Não há culpados, há uma doença. Somos todos portugueses", afirmou Marta Temido no final do debate na Assembleia da República sobre o relatório do estado de emergência entre 16 e 30 de janeiro, período em que se registou o maior número casos de covid-19, óbitos e internamentos nos hospitais.

A ministra da Saúde assumiu que foi "com enorme pesar" que as escolas foram fechadas a 22 de janeiro, atribuindo este encerramento à nova variante do Reino Unido e ao facto das "medidas tradicionais não serem suficientes para responder à transmissão da infeção".

"Esta tendência foi invertida e é isso que vale a pena sublinhar", sustentou, frisando que janeiro foi o mês com mais testes realizados desde o início da pandemia.

Em resposta à deputada do PSD Sofia Matos, que afirmou que Portugal é o pais da União Europeia que menos testes realiza, Marta Temia afirmou: "Portugal é o sexto país da UE em número de testes realizados por milhão de habitante e há pessoas que devem estar a ler números errados".

"Estamos hoje melhor do que aquilo que estávamos, mas não estamos ainda no sítio onde queríamos estar", disse, recordando que o número mais baixo de novos casos que o país registou até hoje foi a 02 de agosto (106) e foi também nesse dia que houve zero óbitos, além de lembrar que a 22 de agosto havia 270 internados e a 09 de agosto do ano passado estavam 29 doentes nos cuidados intensivos.

Marta Temido sublinhou que "há muito caminho para fazer".

"É neste caminho que não vamos faltar aos portugueses, não com soluções fáceis, porque elas não existem. Não é quebrar patentes que garante a capacidade produtiva para vacinas, não é dizer que não planeamos que resolve aquilo que falta fazer. O que falta fazer faz-se com trabalho, estudo, dedicação e sobretudo com argumentos verdadeiros", concluiu.

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