Coronavírus

Covid-19. Secretários de Saúde do Brasil pedem recolher obrigatório nacional

Eraldo Peres

País atravessa um momento de forte agravamento da pandemia.

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O Conselho Nacional de Secretários de Saúde brasileiro pediu a adoção de medidas urgentes para travar um iminente colapso hospitalar no país devido à covid-19, apelando a um recolher obrigatório nacional, segundo uma carta esta segunda-feira divulgada.

"O Brasil vivencia, perplexo, o pior momento da crise sanitária provocada pela covid-19. Os índices de novos casos da doença alcançam patamares muito elevados em todas as regiões. A ausência de uma condução nacional unificada e coerente dificultou a adoção e implementação de medidas qualificadas para reduzir as interações sociais que se intensificaram no período eleitoral, nos encontros de final de ano, do veraneio e do Carnaval", indicou o Conselho.

Apelo à proibição de eventos e aulas presenciais e encerramento de bares e praias

No sentido de travar a disseminação da doença, e consequente colapso das redes de saúde públicas e privadas, os secretários de saúde apelaram à proibição de eventos presenciais, inclusive atividades religiosas, a suspensão de aulas presenciais em todo o país, a adoção de um toque de recolher nacional, à semelhança do que já ocorre em várias cidades, e encerramento de bares e praias.

A carta, assinada pelo presidente do Conselho Nacional de Secretários de Saúde, Carlos Lula, pede ainda que seja ampliada a testagem à covid-19 e que seja feito um maior acompanhamento dos infetados, assim como a criação de um Plano Nacional de Comunicação para esclarecer a população da gravidade da situação.

"O atual cenário da crise sanitária vivida pelo país agrava o estado de emergência nacional e exige medidas adequadas para a sua superação. Assim, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde manifesta-se pela adoção imediata destas medidas para evitar o iminente colapso nacional das redes de saúde", frisa o texto.

A divulgação do documento que é contra a permissão de atividades religiosas presenciais ocorre no mesmo dia em que o governador de São Paulo, João Doria, assinou um decreto que as define como serviço essencial na região.

Agravamento da pandemia

O Brasil atravessa um momento de forte agravamento da pandemia de covid-19, em parte atribuída a um estirpe mais agressiva do vírus, detetada no Amazonas, mas também ao comportamento da população e à falta de medidas unificadas no país.

O Brasil é um dos países mais afetados pela pandemia no mundo e acumula, até agora, quase 255 mil mortes e mais de 10,5 milhões de casos.

Diante dessa nova fase mais aguda da pandemia, muitos governos regionais e municipais voltaram a adotar diversas medidas para tentar conter as infeções, incluindo o encerramento de todas as atividades económicas consideradas não essenciais.

Já o Presidente, Jair Bolsonaro, líder de uma extrema-direita negacionista, reagiu com duras críticas a essas medidas, alertou que só agravarão a grave crise económica do país e afirmou que "o povo quer trabalhar" e "não ficar trancado em casa".

Centenas protestam em Brasília contra restrições impostas

No Brasil, o aumento de casos covid-19 levou o Governo do Distrito Federal a impor novas restrições. Com o comércio, restaurantes, bares e escolas encerrados, em Brasília centenas saíram às ruas para exigir a reabertura das atividades e dos serviços.

As imagens dos protestos foram partilhadas nas redes sociais do presidente brasileiro, que tem criticado as medidas adotadas por muitos governadores e que até já ameaçou cortar as ajudas federais aos Estados que recorram ao confinamento.

A politização da pandemia é apontada como um dos principais entraves ao combate da doença no Brasil onde 13 dos 27 estados estão à beira do colapso, com várias unidades de cuidados intensivos a atingir a capacidade máxima e vários percalços na campanha de vacinação.

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