Coronavírus

Ministra da Saúde responde: como vai ser a vacinação em massa e como será feito o desconfinamento?

Entrevista SIC

MÁRIO CRUZ

Marta Temido em entrevista à SIC.

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A ministra da Saúde Marta Temido fez esta terça-feira um balanço do primeiro ano da pandemia de covid-19. Numa entrevista à SIC, disse que não considera que o Governo tenha falhado quando decidiu levantar as restrições no Natal, uma vez que crê não ter havido apenas uma única causa explicativa para o aumento dos casos.

Marta Temido admite, no entanto, que a entrada em desconfinamento numa fase em que os números ainda estavam altos terá precipitado a situação de caos vivida no mês de janeiro. A esse fator junta outros dois: o aparecimento da variante britânica e as baixas temperaturas.

Sobre o plano para o inverno, apresentado em setembro e que mereceu críticas de médicos e administradores hospitalares, a ministra esclarece que "há coisas que ninguém pode planear", uma vez que estamos "perante uma doença nova, que tem evoluído em termos de variantes" . Garantiu ainda que o plano foi inteiramente realizado.

"Nós não tivemos um caos instalado, tivemos uma situação extraordinariamente complexa", afirmou.

O desconfinamento e as escolas

"Precisamos de esperar mais tempo", começou por responder a ministra da Saúde quando questionada sobre o plano de desconfinamento que será apresentado a 11 de março. "É preciso termos calma quando olhamos para o futuro", continuou, sem se comprometer.

Relativamente às escolas, disse apenas:

"Da mesma forma que as escolas foram o espaço que mais procuramos proteger, serão também as escolas a nossa principal preocupação assim que possamos fazer um reabertura", esclareceu a ministra, acrescentando que se a reabertura for avante começará pelos mais novos.

O Governo vai passo a passo e "vai informando", disse Marta Temido, defendendo que essa tem sido a postura do Executivo de António Costa até ao momento.

Vacinação de professores e funcionários

Na entrevista à SIC, a ministra da Saúde admitiu que a hipótese de incluir os professores e funcionários como prioritários no plano de vacinação "está a ser analisada, não só em Portugal como noutros países".

Mas não fechou a porta a outros funcionários de serviços essenciais. "Quando falamos de serviços essenciais poderá fazer sentido que os adultos que trabalham nesses locais tenham uma vacinação diferenciada", referiu.

Marta Temido exclui a possibilidade de os professores serem vacinados ou não com base em comorbiliadades ou outros fatores de risco, dando como exemplo os profissionais de saúde, que serão todos vacinados independentemente da idade ou de doenças associadas.

Testes e rastreios estão a falhar?

"Hoje temos 200 inquéritos epidemiológicos por realizar. Tivemos problemas, evoluímos e fomos buscar outros profissionais. Conseguimos pôr as coisas a funcionar", disse Marta Temido.

No melhor dia, Portugal realizou 77 mil testes, mas o objetivo do Governo para a fase de desconfinamento serão os 100 mil testes diários - um propósito com o qual a ministra não se compromete.

O objetivo é elevar o número de testes por dia, tendo em função os rastreios, mas "não há um número mágico", esclareceu. Marta Temido pretende realizar mais testes em atividades onde haja mais risco de exposição ao vírus, inclusive a pessoas que trabalham em ambientes fechados.

Vacina da AstraZeneca poderá ser alargada a todas as idades?

A Alemanha decidiu esta semana alargar a vacinação com o fármaco da AstraZeneca a todas as faixas etárias. Em Portugal, continua a ser desaconselhado o uso desta vacina em maiores de 65 anos.

Em relação a este assunto, a ministra da Saúde sublinha que a vacina não tem nenhuma contraindicação para pessoas com mais de 65 anos, mas há incerteza sobre a eficácia nesta população.

Portugal aguarda mais informações e, por isso, a vacina continuará a ser desaconselhada para os maiores de 65.

Marta Temido revelou que a vacina da Johnson & Johnson chegará a Portugal no segundo trimestre do ano, mas não avança com nenhuma data. "Não sabemos em que mês chega", disse.

A ministra da Saúde afirmou ainda que a vacina russa não está completamente colocada de parte, uma vez que a Comissão Europeia iniciou conversas para obter mais informação científica acerca do fármaco. Para já, ainda não há uma negociação em curso, sublinhou Marta Temido

70% da população deverá estar vacinada até ao final do verão

Este é o objetivo do Governo: 70% da população deverá estar imunizada até ao final de agosto. A DGS vai divulgar os novos planos para a vacinação em massa, incluindo informação sobre centros de vacinação contra a covid-19 e os vários pontos de vacinação.

"Faremos todos os esforços para cumprir este objetivo", disse Marta Temido.

Certificado de vacinação para viajar: sim ou não?

Sobre esta matéria, a ministra da Saúde mostra-se favorável, mas diz que a Comissão Europeia ainda vai definir parâmetros nos próximos 15 a 17 dias.

"Naturalmente que temos que olhar para este instrumento com oportunidades e com alguns riscos", disse.

Marta Temido quer perceber como se poderá materializar o instrumento, que entende ser uma "evolução das necessidades face a uma nova realidade".

SNS: o que esperar do futuro?

Marta Temido garante que o Governo já se está a acautelar e está a procurar reforçar a resposta ao doentes não covid que viram cirurgias e consultas a serem adiadas.

A ministra revelou que estão a ser feitos acordos com outros setores para garantir a melhor utilização dos recursos humanos e que o Ministério da Saúde pretende intensificar a atividade num contexto de menor intensidade de casos de covid-19.

Sobre o Plano de Recuperação e Resiliência, a chamada bazuca europeia, a ministra reitera que investimento em insfraestruturas e equipamentos de saúde é um investimento no setor, lembrando que a aplicação dos fundos será feita com base em recomendações específicas para o país, pilares da UE e opções políticas.

Confrontada com a falta de investimento no Serviço Nacional de Saúde e com o dinheiro europeu agora esperado, Marta Temido respondeu: "Se foi obra que ficou por fazer, e alguém terá que a realizar, de preferência que seja agora e não daqui a 20 anos".

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