Coronavírus

Covid-19. Agência europeia prevê melhorias na situação da UE a partir de maio

Pascal Rossignol

Segundo o chefe-adjunto do programa de doenças do ECDC, a melhoria da situação na UE irá acontecer a "ritmos diferentes em países diferentes", até porque "alguns países têm vindo a registar já descidas nos casos", como Portugal.

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O Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC) prevê que a situação da covid-19 melhore em maio na União Europeia (UE), ainda que a ritmos diferentes nos países, devido à vacinação e à melhoria do tempo.

"É bastante difícil prever quando é que as coisas se irão inverter e as taxas [de notificação de casos de infeção] começarão a descer, mas provavelmente isso acontecerá em maio", afirmou em entrevista à agência Lusa o responsável pela unidade de Emergência de Saúde Pública do ECDC, Piotr Kramarz.

Segundo o também chefe-adjunto do programa de doenças do ECDC, isso irá acontecer a "ritmos diferentes em países diferentes", até porque "alguns países têm vindo a registar já descidas nos casos", como Portugal.

A contribuir para essa melhoria da situação epidemiológica estão, principalmente, "as taxas crescentes de vacinação nos países", a "parte otimista" destacada pelo especialista, numa altura em que "muitos países estão a avançar para campanhas de vacinação em massa e as taxas de vacinação estão a aumentar".

"E esperemos que este aumento continue", referiu Piotr Kramarz.

Dados do ECDC revelam que, até ao momento, foram administradas pelos países europeus quase 87 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 de um total de mais de 110 milhões de doses que chegaram aos Estados-membros da UE.

A ferramenta 'online' do ECDC para rastrear a vacinação da UE, que tem por base as notificações dos Estados-membros, indica também que, em termos percentuais, só 6,9% da população adulta da UE já está totalmente inoculada (com as duas doses), enquanto 16,8% recebeu a primeira dose da vacina, ainda longe da meta dos 70% estipulada pela Comissão Europeia para final do verão.

A juntar à inoculação, estão os casos de "pessoas que adoecem e que, quando recuperam, desenvolvem - a maioria delas - imunidade que dura geralmente entre cinco a sete meses", assinala Piotr Kramarz.

Estes casos "também proporcionarão alguma barreira porque as reinfecções acontecem muito raramente", acrescenta o especialista, contextualizando que menos de 1% dos infetados volta a apanhar o vírus.

A contribuir para esta eventual melhoria da situação epidemiológica está ainda, segundo o responsável do ECDC, a melhoria do tempo em toda a UE, proporcionada pelo aumento das temperaturas, que leva a que as pessoas não adoeçam tanto com problemas respiratórios e que procurem espaços no exterior e com mais ventilação.

"Outro fator que pode desempenhar algum papel é provavelmente o aquecimento do clima. [...] Não sabemos se é o impacto da humidade do ar ou talvez o comportamento das pessoas que saem mais para o exterior, mas podemos esperar que tudo isto conduza a diminuições" do número de casos, explicou o especialista.

Piotr Kramarz deixa, ainda assim, um aviso: "Este não é o momento de tornarmos a baixar a guarda, de todo".

"Há algo que todos podem fazer, que é seguir as medidas básicas que temos vindo a defender desde o início da pandemia, como manter a distância física sempre que possível - pelo menos dois metros -, fazer a higiene das mãos e cobrir a boca ao tossir ou ao espirrar" e ainda "ficar em casa perante sintomas", elenca. "Sei que as pessoas estão cansadas, mas é extremamente importante que todos nós possamos fazer algo para nos levar na direção certa" de combate à pandemia, conclui, nesta entrevista à Lusa.

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