Coronavírus

Cientistas alertam para uso indiscriminado e abuso da vitamina D contra a covid-19

David Gray

Consumo indiscriminado de suplementos vitamínicos foi impulsionado pela pandemia.

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As instituções médicas e científicas alertam para o uso indiscriminado e abuso da vitamina D e outros suplementos que têm sido anunciados como estimulantes do sistema imunitário, sobretudo nesta altura de pandemia.

Segundo as as previsões da Business Wire, no último ano tornou-se um mercado mundial de 1,1 mil milhões de dólares e deve crescer a uma taxa de 7%, chegando a 1,6 mil milhões de dólares até 2025.

Mas há perigos no consumo indiscriminado de vitamina D e não há certezas científicas que provem que é necessário um alto nível desta vitamina no organismo.

O aumento da realização de análises clínicas pelas pessoas que querem saber os níveis de vitamina D no seu organismo levou o Grupo de Trabalho de Serviços Preventivos dos Estados Unidos a publicar uma declaração no Journal of the American Medical Association (JAMA):

“Não há provas sobre os benefícios da deteção da deficiência de vitamina D. Portanto, o equilíbrio entre os benefícios e os malefícios da deteção da deficiência de vitamina D em adultos assintomáticos não pode ser determinado”.

Segundo o grupo de trabalho norte-americano: “As necessidades de vitamina D podem variar de pessoa para pessoa, não há por isso um único nível de concentração de 25-hidroxivitamina D [o indicador sanguíneo mais comum] que defina a deficiência, e não há consenso a respeito os níveis precisos de vitamina D que indiquem [bom estado de] saúde ou nível ideal” da vitamina D.

Efeitos secundários

As sociedades médicas alertam que a determinação de níveis adequados e a prescrição de suplementos ou tratamentos devem ser determinados por especialistas porque o consumo excessivo de qualquer nutriente, mesmo um tão neutro como a água, pode ter consequências nefastas.

O Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH) sublinha estes efeitos adversos:

“O consumo excessivo de vitamina D pode ser prejudicial. Concentrações muito altas no sangue (maiores que 150 ng / mL) podem causar náuseas, vómitos, fraqueza muscular, confusão, dor, perda de apetite, desidratação, micção e sede excessivas, pedras nos rins, insuficiência renal, arritmia e até a morte".

Vitamina D e a covid-19

Desde o início da pandemia que se fala em sistema imunitário, uma vez que é dele que depende o combate do nosso organismo ao novo coronavírus SARS-CoV-2.

A vitamina D fortalece o sistema imunitário, razão pela qual surgiu uma dedução simples, mas errada: quanto maior o consumo dos produtos que a incluem, maior a capacidade de defesa do organismo contra o novo coronavírus.

A investigação sobre os benefícios da vitamina D no combate à covid-19 prossegue.

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