Coronavírus

Covid-19. Recuo de Lisboa no desconfinamento é "cenário mais provável"

ANTÓNIO PEDRO SANTOS

As declarações do presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

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O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, disse esta quarta-feira que "o cenário mais provável" é o concelho recuar nas medidas de desconfinamento, no âmbito da avaliação do Governo ao mapa de risco de transmissibilidade da covid-19.

"O Governo vai avaliar a situação amanhã [quinta-feira], se aplicar o critério que tem seguido e verificando-se aquilo que tem sido a evolução dos indicadores, vai ser esse o cenário mais provável", com Lisboa a fazer marcha-atrás no plano de desconfinamento, afirmou Fernando Medina (PS).

No âmbito de uma visita ao novo centro de vacinação no pavilhão 3 do Estádio Universitário de Lisboa, acompanhada pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o autarca de Lisboa afirmou que o aumento do número de casos de covid-19 "é uma situação na qual outros municípios no país estarão também a evoluir no mesmo caminho", uma vez que "a pandemia está a crescer neste momento, não está contida, nem está a decair".

Sobre o possível recuo de Lisboa nas medidas de desconfinamento, aplicadas aos 278 concelhos de Portugal Continental, Fernando Medina adiantou que, se for aplicado o atual quadro da matriz de risco, a decisão na capital "vai ter algumas implicações relativamente a horários de funcionamento, a mais relevante é a restrição do horário da restauração às 15:30 de sábado e o não funcionamento durante o resto do fim de semana".

Lisboa é um dos concelhos com mais casos de covid-19

Lisboa é um dos concelhos com mais casos de covid-19 e que, no âmbito da última reunião do Conselho de Ministros, em 17 de junho, ficou sujeito a medidas mais restritivas, inclusive a proibição de circulação de e para a Área Metropolitana de Lisboa (AML) durante o passado fim de semana, desde as 15:00 de sexta-feira e até às 06:00 de segunda-feira.

Questionado sobre a proibição da circulação de e para a AML ao fim de semana, o presidente da Câmara de Lisboa referiu que não tem informação se a medida se volta a repetir, aguardando pela decisão do Conselho de Ministros.

"Não tenho nenhum elemento de avaliação da eficácia dessa medida, confio que a decisão que está tomada é uma decisão no sentido não da redução da incidência dentro da área metropolitana, mas de tentar reduzir o ritmo ao qual a nova variante se espalha no país", indicou o autarca da capital, considerando impossível evitar a transmissibilidade da variante Delta, até porque se prevê que venha a ser dominante.

Fernando Medina reforçou que a incidência da variante Delta do SARS-CoV-2 "na AML é muito mais alta do que no resto do país".

Marta Temido aponta para continuação das restrições em Lisboa

A ministra da Saúde disse esta quarta-feira que a situação epidemiológica da covid-19 na região de Lisboa e Vale do Tejo deve traduzir-se na continuidade da aplicação das medidas de restrição em vigor.

"Os números neste momento levam a sugerir que a situação de Lisboa ainda não esteja ultrapassada", o que leva a que "as medidas específicas tenham de se manter, como se mantiveram em outros pontos do país quando estavam em situação de risco especial" na evolução epidemiológica, disse Marta Temido em declarações à margem da apresentação do Relatório de Primavera do Observatório Português dos Sistemas de Saúde (OPSS).

"Temos de estar conscientes de que estamos a lidar com um fenómeno cuja evolução ainda se reveste de muitas incertezas. Não é possível garantir que o futuro seja desta ou daquela maneira, o que podemos garantir é que tudo faremos para que isso não seja necessário, mas conhecemos a nossa realidade. Os números continuam a aumentar, ainda não estamos num momento em que estejamos a vê-los decrescer e, portanto, temos de estar atentos", adiantou a ministra.

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