Coronavírus

Covid-19: reforço da vacina vai chegar a 2,5 milhões de pessoas até janeiro

TIAGO PETINGA

DGS e Ministério da Saúde estão a repensar o plano de vacinação para incluir todos os elegíveis para a vacina de reforço.

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A Direção-Geral de Saúde e o Ministério da Saúde anunciaram a restruturação do plano de vacinação contra a covid-19. Na conferência de imprensa esteve também presente o coronel Carlos Penha-Gonçalves, coordenador do Núcleo de Coordenação do Plano de Vacinação contra a covid-19.

António Lacerda Sales anunciou que o plano de vacinação será revisto de forma a incluir "todo o universo de novos elegíveis" para a vacinação. Em causa está a administração da segunda dose da vacina da Johnson & Johnson, anunciada pela DGS no passado dia 18 de novembro.

Para isso, os centros de vacinação vão estar em regime "Casa Aberta" nos domingos dia 5, 12 e 19 de dezembro e no feriado dia 8 de dezembro, para vacinar a população com mais de 50 anos que recebeu a primeira dose vacina da Johnson & Johnson. Além disso, está também a ser ponderada a reabertura dos centros de vacinação.

"Estamos em condições de reafirmar que vacinaremos as 1,5 milhões de pessoas previstas na primeira fase, como alargaremos progressivamente para os cidadãos que agora fazem parte do plano de modo a que, em janeiro, tenhamos 2,5 milhões de pessoas vacinadas com terceiras doses", disse Lacerda Sales

O coronel Penha-Gonçalves confirma que está a ser feita uma "reavaliação ponto por ponto das necessidades do aumento da capacidade vacinal".

"O plano mudou, os objetivos mudaram e temos de ajustar o plano reforçando a estrutura. É isso que estamos a fazer, está a correr bem", disse ainda o coordenador, acrescentando que esta reformulação está a ser articulada em conjunto com a câmaras municipais.

A alteração do plano de vacinação é anunciado no dia em que Portugal regista mais de 3.700 novos casos, o valor mais alto desde 23 de julho de 2021. Ao nível dos internados, foram registadas 681 pessoas hospitalizadas, o número mais alto desde 1 de setembro.

Vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos

A diretora-geral da Saúde afirma que a decisão sobre a vacinar as crianças entre os 5 e os 11 anos só será tomada depois de ser conhecido o parecer da Agência Europeia do Medicamento (EMA, na sigla inglesa) - que deverá ser anunciado esta quarta-feira. Graça Freitas sublinha que a dosagem da vacina para as crianças não é igual à que foi administrada nos adultos.

O plano de vacinação só será realizado depois de ser conhecido o parecer da EMA, acrescenta ainda a diretora-geral da saúde. E reconhece que esta faixa etária, apesar de não desenvolver formas graves da doença, é a que está mais vulnerável.

Portugal ultrapassa os 3 mil novos casos diários

Segundo o relatório de novos casos referente a esta quarta-feira, Portugal registo 3.773 novos casos de covid-19. Marta Temido, ouvida esta quarta-feira no Parlamento sobre a situação do Centro Hospitalar de Setúbal, destacou o papel da vacinação contra a covid-19, apelando que este processo tem de continuar.

"Temos um programa de vacinação que temos de continuar a realizar, a acompanhar e a efetivar."

A ministra mostrou-se ainda confiante no desempenho do SNS, apesar de reconhecer que existem "circunstâncias a ser melhoradas".

"Temos cuidados para recuperar, e temos um conjunto de respostas para dar, em mais um inverno, que será naturalmente mais um inverno com lutas e desafios para superar."

"É PERFEITAMENTE NORMAL QUE ESTES NÚMEROS SUBAM"

Dulce Salzedas, jornalista da SIC, em análise na SIC Notícias, diz que "é perfeitamente normal que estes números subam", acrescentando que o que é preciso nesta fase é vacinar "aquele número de pessoas que já se sabe, que por várias razões, perderam anticorpos", porque são essas pessoas que "vão parar aos hospitais".

NÚMERO DE INTERNADOS NOS HOSPITAIS DISPARA NAS ÚLTIMAS SEMANAS

O número de internados com covid-19 nos hospitais portugueses disparou nas últimas semanas.

O Hospital de Coimbra já esgotou a capacidade nos cuidados intensivos. Na área dedicada à doença respiratória, o número de doentes triplicou nas últimas semanas, como confirmou à SIC o diretor clínico do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra.

Chegou a hora de falar sobre a obrigatoriedade da vacinação

O número de casos de covid-19 na Europa, com a perspetiva de meio milhão de mortes nos próximos meses, está a colocar sobre a mesa a polémica questão de se decidir se a vacinação deverá ser obrigatória ou não.

O diretor executivo da Organização Mundial da Saúde para a Europa, Robb Butler confessa estar muito preocupado. Perante um cenário de mais de 500 mil mortes só na Europa até à próxima primavera, diz que "chegou a hora" de discutir a obrigatoriedade das vacinas contra a covid-19.